O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tentou nesta quarta-feira romper o impasse no Congresso em torno da renovação de um programa de vigilância voltado ao monitoramento de estrangeiros, mas se recusou a retirar sua indicação de um aliado sem experiência na área para comandar a inteligência americana, o que mantém incerta a aprovação da medida. Os parlamentares têm se recusado a renovar o programa, que expira na sexta-feira, em parte devido à oposição à decisão de Trump de nomear Bill Pulte, atualmente regulador federal do setor hipotecário, como diretor interino da ampla estrutura de inteligência do país. A menos que republicanos e democratas cheguem a um acordo ou Trump retire Pulte do cargo, as agências de inteligência dos EUA perderão a autoridade legal para coletar, sem mandados judiciais individuais, e-mails, mensagens de texto e dados de telefonia de estrangeiros que se acredita estarem fora do território americano. As agências de espionagem alertam que isso criaria uma lacuna significativa na obtenção de informações sobre ameaças aos EUA em um momento em que o país sedia a Copa do Mundo e está envolvido em hostilidades com o Irã. “Meu lado não é culpado por isso. Francamente, não é culpa do Senado controlado pelos republicanos. Se a Seção 702 deixar de funcionar, a responsabilidade será deste presidente”, afirmou o senador democrata Mark Warner, referindo-se à Seção 702 da Lei de Vigilância de Inteligência Estrangeira (Fisa, na sigla em inglês), dispositivo legal que está em discussão. A renovação da lei ficou paralisada devido à escolha de Pulte por Trump. O regulador do mercado hipotecário não possui experiência em segurança nacional e foi acusado de utilizar seu acesso a dados confidenciais para promover investigações sobre supostas fraudes hipotecárias envolvendo pessoas consideradas adversárias políticas do presidente. Busca por indicado permanente Trump pediu ao Congresso que aprove uma prorrogação temporária do programa de vigilância, para dar tempo à Casa Branca de encontrar um indicado permanente para o cargo. Ao mesmo tempo, deixou claro que não atenderá à exigência dos democratas de retirar Pulte. “Nomeei William Pulte para atuar como Diretor Nacional de Inteligência interino, assumindo o cargo em 19 de junho, e pedi que ele execute a necessária e imediata redução da estrutura do escritório, transferindo funcionários de volta para suas agências de origem”, escreveu Trump nas redes sociais. “Paralelamente, estou procurando um indicado permanente para o cargo de Diretor Nacional de Inteligência que tenha experiência em segurança nacional”, acrescentou Trump. Com maioria de 53 a 47 cadeiras no Senado, os republicanos precisarão do apoio de pelo menos sete democratas para aprovar a renovação da lei antes de seu vencimento na sexta-feira.Os democratas, porém, mantiveram sua posição. “Não há votos para esse projeto de lei enquanto Pulte permanecer no cargo”, declarou o senador democrata Chris Murphy. O senador republicano John Cornyn, do Texas, que em 26 de maio perdeu uma disputa interna do partido para um candidato apoiado por Trump, afirmou que cabe à Casa Branca e aos democratas “encontrar uma forma de superar esse impasse”. Na semana passada, todos os senadores democratas, com exceção de um, votaram contra a renovação do programa, citando a falta de experiência de Pulte em segurança nacional e o uso de dados confidenciais do setor hipotecário para impulsionar investigações contra supostos inimigos políticos de Trump. Os democratas argumentam que ele poderia agir de forma semelhante com informações ultrassecretas de inteligência. Sete republicanos também votaram contra a renovação, alegando que o programa precisa oferecer maiores garantias de privacidade aos cidadãos americanos.
Trump tenta destravar impasse sobre renovação de programa de vigilância
Democratas querem retirada de Bill Pulte do cargo de diretor Nacional de Inteligência nacional; sem acordo, programa de espionagem expira na sexta-feira












