Bonecos de cabras de pelúcia, vestidos com a camisa número 10 da Argentina usada por Lionel Messi, espalham-se sobre a mesa de uma fábrica na China, onde os vendedores apostam no lucrativo mercado de torcedores do país para obter um grande impulso com a Copa do Mundo de 2026. O Mundial de Futebol começa na América do Norte nesta quinta-feira, mas a China não estará presente por não conseguir se classificar mais uma vez, mantendo sua única participação no torneio em 2002. Ainda assim, o evento é uma bênção para pequenas fábricas chinesas que produzem uniformes e acessórios para torcedores dispostos a gastar em "valor sentimental" com a Copa. As cabras de pelúcia do tamanho da palma da mão — uma homenagem ao título de Messi como GOAT — Greatest Of All Time ("O maior de todos os tempos" em tradução livre) — são um dos produtos mais vendidos da All Star Partner, uma empresa chinesa que possui contrato com seleções, incluindo a Argentina, para fabricar produtos licenciados. Goat é a palavra em inglês para cabra, e também a sigla mais usada pelos fãs de esportes nos EUA para definir um grande atleta em qualquer modalidade. Segundo o CEO da empresa, as vendas aumentaram cinco vezes neste ano em comparação com a Copa do Mundo de 2022. Funcionários embalam os bichinhos de pelúcia com a camisa 10 do craque da seleção argentina Lionel Messi , na fábrica da All Star Partner em Yiwu, na província de Zhejiang, no leste da China — Foto: Hector Retamal/AFP Na fábrica em Yiwu, centro atacadista da China localizado no leste do país, trabalhadores fixavam correntes às "cabras" de Messi nas cores azul e branca, projetadas para serem presas a bolsas e mochilas. Em seguida, elas são embaladas e enviadas para lojas em todo o país. Nas proximidades, havia jogadores de futebol de pelúcia ou chaveiros que lembravam Cristiano Ronaldo, de Portugal, galos felpudos vestindo camisas da França e ursinhos de pelúcia com uniformes da Espanha. Um urso de aparência "muito comum" foi a primeira versão dos pingentes de pelúcia da empresa, que hoje fazem enorme sucesso, disputando mercado com os Labubus, bonecos extremamente populares da fabricante chinesa de brinquedos Pop Mart. — Nós o vestimos com um uniforme de futebol e ele vendeu muito bem — disse o CEO Luo Bin. — Vendemos dezenas de milhares de unidades assim que ele foi lançado, então percebemos muito rapidamente que essa categoria era extremamente popular. Entre os produtos que fazem sucesso junto aos torcedores chineses estão bonecos de Cristiano Ronaldo, de Portugal, além de Messi, e ursinhos de pelúcia com uniformes da Espanha — Foto: AFP Luo admitiu, no entanto, que os pingentes de pelúcia têm pouca utilidade prática. — Talvez agora, por causa do ambiente econômico... as escolhas das pessoas já não sejam mais guiadas pela praticidade. As pessoas agora dão muita importância ao valor emocional. Ou seja: 'Quero comprar algo de que eu realmente goste. Algo que, quando eu olho, me deixa realmente feliz' — afirmou. 'Válvulas de escape emocionais' Em um dia de semana, em uma loja da All Star Partner nas proximidades, os clientes chegavam aos poucos para observar araras de camisas de futebol e pingentes de pelúcia para bolsas, além de mesas de exposição repletas de chaveiros, brinquedos para animais de estimação e travesseiros infláveis de pescoço. — Neste momento, os jovens estão sob muita pressão e precisam de algumas válvulas de escape emocionais e econômicas — disse Fang Tian, fã de futebol desde a Copa do Mundo de 2014. As cabras de pelúcia do Messi, vendidas por 79 yuans (US$ 11,60) — e que na verdade se parecem mais com cordeiros ou ovelhas— eram provavelmente os produtos mais populares da loja, acrescentou a influenciadora Zhu Hui. — Percebi que os chineses são, na verdade, extremamente entusiasmados com as estrelas do futebol, e esse entusiasmo dura muito tempo — afirmou a jovem de 28 anos. — Todos os meus amigos estão dispostos a sacrificar horas de sono para ficar acordados assistindo aos jogos. Chaveiros do Messi, daArgentina, e de Cristiano Ronaldo, de Portugal, seleções que participarão da Copa do Mundo da FIFA de 2026, também atraem os torcedores chineses — Foto: Hector Retamal/AFP Durante a Copa do Mundo do Catar de 2022, apesar de a seleção chinesa não estar participando, a China respondeu por metade de toda a audiência em plataformas digitais e redes sociais, segundo a FIFA. O superfã da Inglaterra Shang Jianxing, que comprou uma caixa de transporte para animais de estimação com tema de Portugal para um amigo, acredita que a cultura do futebol na China está começando a se transformar em um estilo de vida. Aos 43 anos, ele já esteve em várias Copas do Mundo e planeja viajar para os Estados Unidos para assistir a uma partida das semifinais. Shang, natural da província oriental de Zhejiang, levou sua obsessão pelos ingleses David Beckham e Michael Owen até o norte de Londres, onde estudou administração de empresas entre 2003 e 2008. Ele ainda espera ver o retorno da China ao maior palco do futebol, depois de ter assistido à derrota da seleção chinesa por 4 a 0 para o Brasil na Copa do Mundo de 2002. A China perdeu os três jogos da fase de grupos em 2002 e não marcou nenhum gol. Shang apontou o crescimento dos programas de futebol juvenil na China como um sinal de dias melhores para a tão criticada seleção masculina do país. Ele lamenta que a China tenha ficado de fora de todas as Copas do Mundo, com exceção da edição de 2002, considerando a popularidade do futebol no país: — Acho que, mais cedo ou mais tarde, a seleção chinesa voltará a disputar uma Copa do Mundo.
Chineses faturam alto com 'cabra' de Messi às vésperas da Copa nos EUA
China não se classificou para os últimos mundiais de futebol, mas país tem muitos fãs do esporte dispostos a gastar com lembranças de seus ídolos














