Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que a maioria dos entrevistados (47%) acha que o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, teve influência na decisão do governo dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Para 60%, no entanto, ambas as facções deveriam ser assim consideradas pelo governo brasileiro. Leia mais: O levantamento também mostra que existe um temor de que eventuais punições impostas pelos EUA a empresas e pessoas ligadas a esses grupos possam prejudicar bancos e companhias brasileiras. Do total, 53% disseram acreditar que essas punições vão prejudicar, enquanto 34% acham que não. Outros 13% não souberam ou não responderam. O governo dos Estados Unidos anunciou no fim de maio que classificaria as facções brasileiras como organizações terroristas. No dia 5 de junho, a decisão foi oficializada. Segundo a pesquisa, 63% dos entrevistados tinham conhecimento de que o governo classificou PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Outros 36%, não sabiam, e 1% não soube ou não respondeu. A Quaest entrevistou 2.004 eleitores acima de 16 anos em todo país entre os dias 5 e 8 de junho. A pesquisa está sob o registro BR-07661/2026 no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Tem nível de confiança de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais. Brasil x EUA Quando questionados sobre qual governo deve classificar organizações criminosas como terroristas, 60% dos entrevistados responderam que deveria ser o brasileiro. Outros 29% disseram que não deveria ser o do Brasil, e 11% não souberam ou não responderam. Para 45%, o governo de Donald Trump é quem deve classificar as facções como terroristas, enquanto 45% acham que não. Outros 10% não souberam ou não responderam. A maioria dos que acreditam que o enquadramento não deveria ser feito pelos EUA é lulistas (60%), eleitores de esquerda não lulistas (73%) e os que se declaram independentes (45%). Já a maioria dos eleitores de direita não bolsonarista (72%) e dos bolsonaristas (64%) entendem que a classificação deve ser feita pelos EUA. Influência de Flávio Bolsonaro A maioria dos entrevistados (47%) acha que Flávio influenciou o presidente Donald Trump na decisão sobre PCC e Comando Vermelho. Para outros 37% o senador não teve influência sobre a decisão, e 16% não souberam ou não responderam. A maioria dos que veem influência de Flávio são lulistas (61%), eleitores de esquerda não lulistas (70%) e independentes (43%). Já a maioria dos eleitores de direita não bolsonarista (54%) e bolsonaristas (55%) acreditam que o senador não teve influência. Como mostrou o Valor, a entrada dos EUA no delate eleitoral sobre segurança pública no Brasil reorientou estratégias das principais campanhas. Desde o anúncio, o senador e pré-candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, buscou “capitalizar” a medida. A decisão foi divulgada pelo governo americano poucos dias depois de sua visita ao presidente Donald Trump na Casa Branca, em Washington. A avaliação do senador foi a de que o tema poderia lhe render dividendos eleitorais. Contrário ao enquadramento, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reativou o discurso da defesa da defesa da soberania nacional. Segundo membros das campanhas, a pauta da segurança tende a ser um eixo central da disputa, em resposta à preocupação dos brasileiros com a violência, demonstrada em pesquisas. O interesse dos EUA no assunto é visto como um elemento imprevisível, já que eventuais ações americanas têm potencial de danos e ganhos para os dois lados. O entorno de Flávio faz o diagnóstico de que a área da segurança é uma das maiores fragilidades de Lula. Entre as propostas ventiladas pelo senador, estão a redução da maioridade penal e o endurecimento das punições. Ele já elogiou a política de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele - questionada por suspeitas de violação de direitos humanos -, e defendeu a construção de mais presídios. Auxiliares de Lula, por sua vez, incorporaram o discurso de que a esquerda “não deve ter medo” de entrar no debate da segurança e que é um erro deixar a direita monopolizar a discussão. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, afirmou que “o governo do presidente Lula combate o crime organizado” e privilegia o “uso de inteligência”, recorrendo a “instrumentos” nacionais para essa tarefa. “Se tem terrorismo no Brasil, nós queremos combater, [mas] com a nossa soberania.”