O governo do presidente Donald Trump afirmou na terça-feira (9) que negou a entrada nos Estados Unidos ao árbitro somali Omar Abdulkadir Artan para a Copa do Mundo por causa de seus vínculos com “suspeitos de integrar organizações terroristas”. As rígidas políticas migratórias do governo Trump têm sido motivo de preocupação às vésperas da Copa do Mundo. No ano passado, Washington impôs uma ampla proibição de viagens a cidadãos de 12 países, incluindo a Somália. Artan, eleito melhor árbitro da África em 2025, estava prestes a se tornar o primeiro somali a arbitrar uma Copa do Mundo, mas foi impedido de entrar no país pela Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) no último fim de semana. Um porta-voz da Fifa informou que Artan não poderá mais participar dos treinamentos nem atuar no torneio, que começa nesta semana nos Estados Unidos, México e Canadá. O governo da Somália afirmou ter tentado, sem sucesso, negociar com os Estados Unidos e com a Fifa para permitir a entrada do árbitro no país e disse lamentar o ocorrido. “Suas conquistas internacionais são motivo de honra e orgulho para o povo somali”, afirmou o Ministério dos Esportes em comunicado. Sem identificar Artan nominalmente, a CBP informou que um cidadão somali chegou ao Aeroporto Internacional de Miami vindo de Istambul no sábado e foi considerado inadmissível devido a preocupações identificadas durante o processo de verificação. Posteriormente, uma autoridade do governo americano afirmou que os agentes da CBP concluíram que Artan representava uma ameaça à segurança nacional. “Após uma inspeção mais detalhada, foram descobertas informações desabonadoras, incluindo associação com suspeitos de integrar organizações terroristas”, disse a autoridade, em comentários compartilhados com jornalistas sob condição de anonimato. Segundo a mesma fonte, isso tornou o viajante inelegível para admissão nos Estados Unidos nos termos da Lei de Imigração e Nacionalidade (INA). “O governo do presidente Trump não permitirá a entrada de qualquer ameaça à segurança em nosso país, ponto final.” A Federação Somali de Futebol (SFF) lamentou o episódio, classificando a nomeação de Artan como um marco para o país, resultado de anos de dedicação, profissionalismo e integridade. A entidade afirmou não ter recebido explicações oficiais sobre o motivo da recusa e disse estar trabalhando em conjunto com a Fifa e autoridades competentes para entender as circunstâncias do caso. Segundo relatos da imprensa, Artan possuía visto válido. O árbitro Omar Artan, ao centro, sinaliza um pênalti durante a final da Liga dos Campeões da CAF entre AS FAR Rabat e Mamelodi Sundowns, em Rabat, Marrocos, domingo, 24 de maio de 2026 — Foto: AP/Mosa'ab Elshamy, Fifa diz não participar de decisões migratórias Uma autoridade somali disse à Reuters que os esforços diplomáticos para permitir a entrada de Artan nos Estados Unidos continuam, mas recusou-se a fornecer mais detalhes. Um porta-voz da Fifa afirmou que a entidade “não participa dos processos migratórios dos países anfitriões, incluindo a concessão de vistos, e foi informada pelas autoridades de que a situação do sr. Artan não será alterada neste momento”. Falando à Reuters no aeroporto de Istambul nesta terça-feira, antes de embarcar para a Somália, Artan afirmou estar tranquilo. “Estou muito bem agora”, disse. “E gostaria de agradecer à FIFA por ter me apoiado durante todo esse processo, assim como ao povo somali. Sou muito grato à FIFA e também à CAF (Confederação Africana de Futebol).” Não estava claro quais partidas Artan apitaria, embora esse tipo de informação normalmente só seja divulgado dois ou três dias antes dos jogos. Políticas migratórias geram preocupações antes da Copa O comissário da CBP, Rodney Scott, afirmou nesta terça-feira que viajantes são regularmente impedidos de entrar nos Estados Unidos por não atenderem aos requisitos legais ou por representarem uma ameaça. “Não me importa qual é a sua profissão. A lei continua sendo a lei”, disse Scott durante um evento em Washington promovido pelo Center for Immigration Studies, organização que defende políticas de imigração mais restritivas. “Se você não atende aos requisitos para entrar no país, não vamos permitir sua entrada apenas porque queremos que você arbitre uma partida.”