Em três episódios, produção traz relatos do tricampeão Jairzinho Furacão e o pentacampeão Vampeta Pelé e Hélio no Projac em 1996 — Foto: Arquivo Pessoal RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você A entidade máxima do futebol desconsidera amistosos históricos contra gigantes europeus, reduzindo a contagem do Rei para 776 gols. O ator contesta esse critério financeiro. Dividida em três episódios no UOL, a produção debate o apagamento de ídolos do passado. O projeto reúne depoimentos de ex-jogadores e do jornalista Paulo Vinícius Coelho. Para De La Peña, o mercado atual prioriza atletas ativos que geram engajamento digital. Ele defende que a história do esporte precisa ser preservada e respeitada. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Reconhecido pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) como o Atleta do Século XX, Pelé tem, entre seus feitos, a marca de mais de mil gols marcados (foram 1.282 tentos em sua carreira, contando jogos oficiais e amistosos). A FIFA, no entanto, reconhece apenas os gols marcados em partidas oficiais, reduzindo significativamente a contagem atribuída ao brasileiro, para 776 gols. Inconformado com com a diferença entre as contagens, o ator e humorista Hélio de La Peña produziu o minidocumentário "Pelé, o eterno Rei", que tenta responder à pergunta: está havendo um apagamento do legado do maior jogador de futebol da História? — Comecei a ver a imprensa europeia colocando o Pelé atrás do Messi e do Cristiano Ronaldo e achei um completo disparate, uma tentativa de desprezar os craques do passado. Acho que alguns gols do Pelé feitos durante a Seleção do Exército e alguns amistosos de pequena importância poderiam sim ser desconsiderados porque não dariam nem, no máximo, 20 gols — estima o humorista, que chegou a interpretar o ídolo no "Casseta & Planeta Urgente!". — Mas eles acabaram desprezando gols feitos em amistosos que os times faziam na época para faturar, porque antes não tinha patrocínio como tem hoje. E não eram joguinhos desprezíveis, eles jogavam contra Juventus, Real Madrid, Barcelona. Eram jogos de verdade que tinham um público expressivo. Botafoguense e fã do camisa 10 do Santos e da Seleção, La Peña acredita que a mudança na visão sobre o Rei do Futebol (único jogador na História a vencer três Copas do Mundo, em 1958, 1962 e 1970) pode ter razões financeiras: — Esse tipo de coisa, no fim das contas, tem o objetivo de valorizar os jogadores atuais, que ainda estão rendendo financeiramente. E aí você vai 'apagando' aqueles que capinaram essa estrada quando tudo era mato. O número de seguidores e quanto uma marca pode faturar com a imagem de um jogador, sem dúvida acaba sendo um critério a ser levado em conta. A produção, dividida em três episódios, conta com a participação de grandes atletas de diversas gerações, como o tricampeão Jairzinho Furacão, o pentacampeão Vampeta e Danilo, zagueiro do Flamengo. Além dos jogadores, Hélio também conversou com o jornalista Paulo Vinícius Coelho (PVC), autor do livro "Rei: O livro sobre o homem incomparável a quem tentam se comparar", e com o pai de Neymar, que repatriou a marca Pelé para o Brasil. — Hoje em dia parece que a História começou nos anos 2000, e tudo o que aconteceu antes é colocado em segundo plano. Outras questões, como a racial, também foram abordadas — detalha o humorista, para quem a comparação entre jogadores de diferentes épocas é sempre subjetiva. —A gente pode comparar o Ronaldo Fenômeno, o Ronaldinho Gaúcho, o Romário, o Messi, mas o Pelé está em outro patamar. Eu até falo no segundo episódio que todo grande jogador, de alguma forma, é comparado ao Pelé porque ele é referência. Vários jogadores ficaram famosos pelo futebol, mas o futebol só ficou famoso graças ao Pelé. Questionado se conseguiu uma resposta para a pergunta do minidocumentário, o artista afirmou que existe um movimento perigoso em desprezar a História do futebol. — Recentemente, até mandei mensagem para o Zico quando ele questionou a existência do "artilheiro do Novo Maracanã", que é o Pedro. Mas é aquela coisa, quantas pessoas assistiram ao Zico? E quantas pessoas hoje estão vendo o Pedro? No fim das contas você acaba considerando o que está sendo visto hoje no momento. Dividido em três episódios, o minidocumentário está disponível nos canais do UOL. O roteiro foi escrito por Hélio em parceria com Paloma Santos e tem como diretor e produtor Eduardo Belo.