Magistrada afastou profissionais do caso, aplicou multas e proibiu duas advogadas de atuar na corte por dois anos após identificar citações falsas em petições Juíza pune quatro advogados após IA inventar decisões judiciais em processo nos EUA — Foto: Freepik RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 10/06/2026 - 06:24 Advogados punidos nos EUA por uso indevido de IA em decisões judiciais falsas Uma juíza federal nos EUA puniu quatro advogados por usarem inteligência artificial para inserir decisões judiciais falsas em documentos legais. A magistrada Sharion Aycock multou os advogados e baniu duas delas por dois anos da corte, destacando o uso negligente e riscos associados à IA no direito. O caso, envolvendo uma disputa contratual, ressalta os desafios do emprego de IA no sistema judiciário. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma juíza federal dos Estados Unidos puniu quatro advogados após identificar citações de decisões judiciais inexistentes em documentos apresentados à Justiça. Segundo a magistrada Sharion Aycock, parte dos precedentes falsos foi produzida com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, em mais um episódio que amplia o debate sobre os riscos do uso dessa tecnologia no meio jurídico. Aycock, juíza federal sênior do Mississippi, determinou o afastamento dos quatro profissionais do processo, aplicou multas e proibiu duas advogadas de atuar em sua corte pelos próximos dois anos. Ela também cancelou o julgamento previsto para março e suspendeu o andamento da ação. O caso teve origem em uma ação por quebra de contrato ajuizada em 2023 pelo advogado Tom Withers III, da Louisiana. Ele alegava não ter recebido honorários advocatícios relacionados a um projeto de desenvolvimento de energia solar executado para a cidade de Aberdeen, no Mississippi. As sanções atingiram Kathleen M. Wilson e Shauncey Hunter Ridgeway, que representavam Withers, além de Kathryn Y. Williams e Mark McClinton, advogados da cidade de Aberdeen. O autor da ação não está entre os punidos. Segundo Aycock, os quatro violaram a Regra 11 das Regras Federais de Processo Civil, que exige dos advogados a certificação de que as informações apresentadas em petições possuem fundamento jurídico e factual. "Este caso apresenta ao tribunal uma situação incomum: advogados de ambas as partes se envolveram em condutas semelhantes passíveis de sanção", escreveu a magistrada. Advogadas admitiram que não verificaram a autenticidade das decisões Durante audiência realizada em janeiro, Wilson e Williams reconheceram que não haviam confirmado a existência de algumas decisões citadas nos documentos encaminhados à Justiça. Aycock determinou que ambas fiquem impedidas de atuar na corte pelos próximos dois anos. Wilson foi multada em US$ 2.500, enquanto Williams recebeu penalidade de US$ 3.500. Wilson possui licença para advogar na Louisiana, enquanto Williams é habilitada no Texas. As duas participavam do caso por meio de autorizações temporárias concedidas pela Justiça do Mississippi. Segundo a juíza, Wilson informou ter utilizado o sistema First Drafts, ferramenta baseada em inteligência artificial voltada à elaboração de documentos jurídicos. A petição produzida continha duas referências a casos inexistentes, classificadas como "citações alucinatórias". De acordo com Aycock, Wilson afirmou que "desconhecia que a IA poderia produzir casos alucinados e explicou que nem sequer sabia o que era um caso alucinado". A empresa responsável pelo First Drafts não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário. A magistrada destacou ainda que Wilson já havia sido punida em abril pelo Tribunal de Falências dos Estados Unidos para o Distrito Oeste da Louisiana por conduta semelhante. "O uso indevido contínuo da IA demonstra uma extrema negligência em relação às suas responsabilidades profissionais", escreveu Aycock. Juíza critica confiança excessiva em ferramentas de IA No caso de Williams, a magistrada afirmou que a advogada declarou que seu escritório não utilizava plataformas abertas de inteligência artificial, embora tivesse adquirido um software baseado nessa tecnologia para pesquisas internas. Williams recorreu à ferramenta na elaboração de duas petições distintas, que continham quatro decisões falsas. Segundo Aycock, a própria advogada reconheceu que o sistema reunia precedentes de diversos estados, mas não incluía decisões do Mississippi. A juíza observou ainda que o escritório de Williams possui política interna exigindo que pesquisas jurídicas sejam verificadas pelos profissionais antes da apresentação ao tribunal. "O tribunal considera particularmente grave que Williams, sócia e presumivelmente uma das líderes de seu escritório, tenha desrespeitado a política sobre IA ao confiar cegamente na ferramenta de pesquisa", afirmou. Ridgeway e McClinton, ambos licenciados para atuar no Mississippi, foram responsabilizados por patrocinarem as autorizações temporárias que permitiram a participação de Wilson e Williams no processo. Segundo a magistrada, eles também violaram as regras processuais ao assinarem as petições encaminhadas à Justiça. Cada um recebeu multa de US$ 1.000. Nenhum dos dois respondeu aos pedidos de comentário feitos pela imprensa. Caso reforça alerta sobre uso de IA no sistema de Justiça O episódio é mais um exemplo dos desafios enfrentados por tribunais, escritórios de advocacia e instituições acadêmicas diante da expansão do uso da inteligência artificial para pesquisa e produção de textos. Em abril, um escritório de Wall Street também pediu desculpas a um juiz federal após apresentar uma petição que continha diversos erros gerados por ferramentas de IA. As punições aplicadas no Mississippi foram divulgadas inicialmente pelo site 404 Media e pelo advogado Robert Freund, especialista no acompanhamento de casos relacionados ao uso indevido de inteligência artificial em processos judiciais. A Ordem dos Advogados do Mississippi e a National Bar Association não responderam imediatamente aos questionamentos sobre o caso. Com a suspensão do processo original, a ação movida por Tom Withers III contra a cidade de Aberdeen permanece sem previsão para retomada.
Juíza pune quatro advogados após IA inventar decisões judiciais em processo nos EUA
Magistrada afastou profissionais do caso, aplicou multas e proibiu duas advogadas de atuar na corte por dois anos após identificar citações falsas em petições











