Um foragido da Justiça que segundo o Ministério Público é ligado ao PCC (Primeiro Comando da Capital) esteve quatro vezes no Hospital Municipal de Santo André após participar de um ataque a carro-forte no interior de São Paulo. Em todas as ocasiões, apontam as investigações, ele entrou e saiu pela porta da frente.

Isso foi possível porque Jurandir da Silva Barros, 44, deu entrada no hospital portando documentos falsos. Ele foi registrado na unidade como Bertolino Tobias, uma suposta fraude da qual também teria participado o ex-assessor da prefeitura Leandro Bonifácio do Nascimento, segundo as investigações.

A defesa de Jurandir nega: diz que ele chegou ao hospital desacordado após um acidente de trabalho —caiu de um andaime, na versão de seus advogados— e que, quando acordou, já havia em seu braço uma pulseira com outro nome.

"A imputação de que ele próprio teria inserido dados falsos no sistema do hospital não se sustenta, pois pessoa estranha ao setor administrativo da unidade não detém acesso ao sistema informatizado do local", afirmam os advogados David e Victor Godoy Martins em nota encaminhada à Folha.

A reportagem não localizou a defesa de Bonifácio. Um dos escritórios que o defendia renunciou ao caso, e o atual não atendeu aos quatro telefonemas feitos na quarta-feira (3) nem respondeu a uma tentativa de contato feita por email.