Daniella Marques seria nome certo para cargo estratégico na área econômica Daniella Marques: percepção interna da pré-campanha é de que o ex-presidente da Caixa agradaria mais ao mercado financeiro do que o de outro cotado — Foto: Luciana Whitaker/Valor—29/7/2022 O nome da ex-presidente da Caixa Econômica Federal Daniella Marques, que foi braço-direito do ex-ministro da Fazenda Paulo Guedes, voltou a circular nos bastidores como principal conselheira econômica do pré-candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ). Em eventual vitória do candidato da oposição, ela é cotada para o Ministério da Fazenda, embora outros nomes que já foram ventilados não estejam descartados. De acordo com uma fonte da pré-campanha de Flávio, Daniella, hoje, é cogitada para a pasta da Fazenda ou outro cargo estratégico da área econômica. Certo é que ela “terá papel de destaque” em eventual futuro governo, afirmou esta fonte. Porém, aliados de Flávio Bolsonaro alertam que outros nomes ventilados para o comando da política fiscal continuam no radar, como os economistas Roberto Campos Neto e Mansueto Almeida, ambos atualmente no mercado financeiro, e o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Gustavo Montezano - este também na equipe da pré-campanha. Atualmente, Daniella tem sido decisiva nos debates internos sobre o plano de governo, e no contato com empresários e players do mercado. Ela já acompanhou o presidenciável do PL em reuniões com o setor produtivo e na Faria Lima. O nome dela também voltou a ganhar fôlego em meio a um contexto em que Flávio Bolsonaro tem de melhorar o desempenho junto ao eleitorado feminino, cuja maioria continua fiel ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Nesse sentido, o senador do PL ganharia pontos ao apresentar uma mulher como conselheira econômica, da mesma forma em que procura uma mulher para ocupar a vaga de vice na chapa presidencial. A busca para se aproximar do eleitorado feminino também é uma maneira de Flávio de se contrapor ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que perdeu pontos com o segmento em razão de comentários considerados misóginos e machistas. Com o apoio de Paulo Guedes, Daniella Marques substituiu o então presidente da Caixa, Pedro Guimarães, no fim de junho de 2022, depois que surgiram denúncias de funcionárias da instituição de assédio sexual contra o então dirigente. Há uma percepção interna de que o nome dela também agradaria mais ao mercado financeiro do que o de outro assessor econômico da pré-campanha, o ex-ministro de Minas e Energia Adolfo Sachsida. Daniella é graduada em administração de empresas pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro e tem MBA em finanças pelo Ibmec. Trabalhou por 20 anos no mercado financeiro, nas áreas de gestão independente de fundos de investimentos e de compliance. No governo Bolsonaro, ela também se destacou na interlocução com Congresso em temas sensíveis, como na proposta de emenda à Constituição (PEC) dos combustíveis, que reduziu o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) dos governadores. Antes de assumir a Caixa, ela foi secretária especial de Produtividade, Emprego e Competitividade (Sepec) do então Ministério da Economia.