José Ramos-Horta, vencedor do prêmio Nobel da Paz e presidente de Timor-Leste, escreveu nas suas redes sociais: "Anuncio publicamente, e sei que isso pode custar-me as próximas eleições: Apoio a seleção nacional cabo-verdiana". Para um leitor brasileiro, imagino que o sentido da declaração não se alcance de primeira.

Os timorenses são adeptos fanáticos da seleção portuguesa, como descreve o próprio Ramos-Horta: "Euforia, celebrações, desfiles nas ruas, madrugada em Timor-Leste. Rezam a Deus para abençoar a seleção nacional portuguesa… é quase luto nacional quando Portugal perde".

A ligação é das tais que o colonialismo deixou emaranhadas e que são difíceis de desenlear. Timor teve uma colonização portuguesa com episódios de repressão intercalados com abandono; depois da invasão indonésia de 1975 e do genocídio que se seguiu, estima-se que talvez um terço da população tenha perecido.

Foi então que a bandeira da República Portuguesa, chamada por muitos timorenses de "lulik" (sagrada), serviu para mobilizar a população contra a ocupação. Os timorenses lutaram bravamente pela sua independência e são orgulhosos patriotas da sua própria bandeira. Mesmo assim, no futebol a bandeira portuguesa ainda é dominante.