A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (9) manter a prisão da advogada e influenciadora Deolane Bezerra, presa em 21 de maio na "Operação Vérnix", que investiga lavagem de dinheiro da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O colegiado ainda recomendou que a análise do caso pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) seja “célere”. Por unanimidade, os ministros entenderam que não houve ilegalidades na prisão de Deolane e que ainda estão presentes os critérios que justificaram a sua custódia, como o risco de fuga e o perigo à ordem pública. Venceu o voto do relator, ministro Ribeiro Dantas, que foi acompanhado pelos ministros Joel, Messod Azulay Neto e Marluce Caldas, que preside o colegiado. Em seu voto, Dantas afirmou que o STJ tem entendimento pacificado de que a participação de investigados em organizações criminosas sofisticadas justifica a prisão provisória e impede a substituição por medidas cautelares alternativas. Prisão domiciliar negada O ministro também negou o pedido da defesa para transferir Deolane para a prisão domiciliar, baseado no argumento de que ela é mãe de uma criança menor de 12 anos. Ele afirmou que a transferência não é automática. Ao analisar o caso, no entanto, o magistrado recomendou que o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) seja célere, diante da gravidade dos fatos. “Entendo que a situação concreta exige análise mais profunda dada a gravidade dos fatos em apuração, devendo-se o julgamento do tema nas instancias ordinárias”, afirmou Dantas. Durante a sessão no STJ, a defesa de Deolane argumentou pela soltura da influenciadora ou pela sua transferência para a prisão domiciliar com a adoção de medidas cautelares diversas. Em sustentação oral, o advogado Aury Lopes Junior afirmou que a prisão não é necessária, uma vez que não há risco de fuga, já que ela estava viajando e retornou ao Brasil na época da prisão e que a sua custódia foi feita de maneira “midiática”. “O que se fez foi uma prisão midiática para se humilhar um personagem, mas quem efetivamente está presa é uma mãe, com uma filha de 10 anos”, afirmou o advogado da influenciadora, que está presa na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, em São Paulo. Em seu parecer, o subprocurador-geral da República, Augusto Aras, defendeu a manutenção da prisão de Deolane, diante do “avanço permanente das organizações criminosas”. Em seu parecer, Aras afirmou que sempre que essas organizações quiseram praticar crimes complexos, fizeram uso de menores de idade, pessoas com algum grau de desequilíbrio emocional e até mesmo mães, “sabendo que a sociedade brasileira tem a família no seu mais alto patamar de respeito e credibilidade”. Segundo Aras, contudo, é preciso diferenciar mães que cometem crimes uma vez e outras que repetem as condutas criminosas, seguindo o princípio da razoabilidade. Investigação A advogada e influenciadora Deolane Bezerra é investigada pela suposta prática de crimes de lavagem de dinheiro de organização criminosa. Segundo as investigações, ela recebia valores provenientes de uma transportadora criada pelo PCC, com sede em Presidente Venceslau (SP), e lavava os valores. Ela foi presa em casa, em 21 de maio, em uma mansão que fica em Alphaville, bairro que concentra condomínios luxuosos em Barueri, na Grande São Paulo. Deolane foi presa pela primeira vez em setembro de 2024, durante desdobramentos da "Operação Integration". Ela foi detida em Recife pela Polícia Civil, que investigava um esquema de lavagem de dinheiro e jogos ilegais. Deolane Bezerra tem 38 anos, tem três filhos e é famosa na internet, conhecida por ostentar sua riqueza nas redes sociais, com mais de 20 milhões de seguidores. Ela ficou conhecida após a morte trágica de seu então marido, o funkeiro MC Kevin, em maio de 2021, que caiu da varanda do quinto andar de um hotel no Rio de Janeiro. Ela estava hospedada junto de Kevin no mesmo hotel. As investigações da polícia concluíram que a morte do cantor foi resultado de um acidente. O caso foi arquivado. Após o episódio, a advogada criminalista ganhou fama e fechou grandes contratos de publicidade. O forte engajamento na internet levou Deolane para a TV e para o universo publicitário. Ela participou de um reality show e teve presença constantes em programas de TV em vários canais.
STJ mantém Deolane presa e recomenda ‘celeridade’ na resolução do caso
Os ministros entenderam que não houve ilegalidades na prisão da advogada e influenciadora e que ainda estão presentes os critérios que justificaram sua custódia, como o risco de fuga e o perigo à ordem pública








