A companhia aérea Emirates, maior compradora de jatos de fuselagem larga do mundo, espera receber o seu primeiro Boeing 777X até junho do próximo ano, após uma série de atrasos que já perduram por mais de uma década. O presidente da empresa, Tim Clark, afirmou durante uma conferência do setor em Berlim que a entrega está “em boa forma”, apesar de ressaltar que “qualquer coisa pode dar errado”. A aeronave de 400 assentos, cujo desenvolvimento foi marcado por anos de atrasos, em parte devido a questões de certificação, chega com 14 anos de espera desde que a Emirates liderou a onda de pedidos iniciais. Enquanto a situação com o Boeing avança, a Emirates continua reticente quanto a encomendar o Airbus A350-1000. O motivo persiste em uma longa disputa sobre a durabilidade dos motores Trent XWB-97, fabricados pela Rolls-Royce, que a companhia aérea considera inadequados para as condições de calor e areia do Golfo Pérsico. “A história do XWB-97 continua a mesma. Sei que eles [Rolls-Royce] estão trabalhando arduamente para resolver”, pontuou Clark. O executivo, que já teve atritos públicos com a fabricante de motores no passado, questionou ainda o pacote de remuneração de Tufan Erginbilgic, diretor-presidente, da Rolls-Royce, que pode ultrapassar 100 milhões de libras. Erginbilgic tem sido amplamente creditado por uma transformação fundamental no grupo, que resultou em uma forte reviravolta nos lucros e no valor das ações da empresa. Em resposta, um porta-voz da Rolls-Royce afirmou que o programa de atualização tecnológica do Trent XWB-97 está aprimorando a durabilidade e o tempo de operação em voo. Segundo a empresa, as melhorias devem dobrar a vida útil do motor em ambientes quentes e empoeirados, além de oferecer um ganho de 50% em ambientes mais amenos. A Rolls-Royce também ressaltou estar investindo na expansão de sua capacidade de manutenção e reparo para atender à demanda crescente. O impasse entre a Emirates e os fabricantes de motores insere-se em um conflito mais amplo no setor aéreo. As companhias aéreas têm enfrentado problemas com preços elevados e atrasos nas entregas de peças, o que tem deixado aviões parados no solo. Tim Clark mostrou pouca tolerância com os fabricantes que não conseguem acompanhar a demanda. “Não posso dizer ao meu governo que não posso voar porque não tenho isso. Então, é brutal, mas é assim que funciona. Vocês precisam fazer melhor do que estão fazendo”, afirmou Clark. A situação atinge um nível em que até mesmo a Iata, grupo global de companhias aéreas, acusou recentemente os fabricantes de motores de estarem explorando os preços de peças, enquanto as fabricantes argumentam que assumiram riscos financeiros significativos para aprimorar a eficiência do combustível e apontam problemas na cadeia de suprimentos como causas dos atrasos. Boeing 777X — Foto: Lewis Joly, File/AP Photo
Emirates prevê receber 1º Boeing 777X em 2027 e mantém críticas a motores da Rolls-Royce
A aeronave de 400 assentos, cujo desenvolvimento foi marcado por anos de atrasos, em parte devido a questões de certificação, chega com 14 anos










