O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (8) que as negociações para um acordo com o Irã estão em sua “fase final”, acrescentando que um entendimento poderia ser alcançado em “dois ou três dias”. Não é a primeira vez, porém, que o republicano demonstra otimismo semelhante nos últimos dois meses. Também não está claro ainda o quanto as duas partes efetivamente avançaram rumo a um acordo. Ainda na segunda-feira, o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, declarou que o país persa não “abandonou” as negociações de paz com os Estados Unidos para encerrar o conflito no Oriente Médio, apesar da intensa troca de ataques entre Israel e Irã no domingo e na segunda desde o cessar-fogo firmado em abril. Na sequência, o primeiro-ministro do Paquistão, país que atua como mediador das conversas entre Washington e Teerã, também deu a entender em publicação na rede social X que as negociações estavam próximas de um acordo final entre as partes enquanto condenava a troca de ataques entre Irã e Tel Aviv. “Enquanto trabalhamos de forma sincera e diligente, ao lado de nossos irmãos e parceiros, para encontrar uma solução diplomática pacífica para o conflito — especialmente quando o objetivo final parece estar prestes a ser alcançado — conclamamos sinceramente todas as partes a exercer moderação e dar mais uma chance à paz. Que continuemos a trilhar o caminho da paz e da diplomacia, que apresentam perspectivas promissoras de sucesso, em vez de seguir pela violência e pela destruição”, disse Shehbaz Sharif na postagem. Autoridades da República Islâmica, por outro lado, têm demonstrado ceticismo em relação ao avanço das negociações. O presidente do Parlamento iraniano e principal negociador do país persa, Mohammad Bagher Ghalibaf, por exemplo, afirmou na segunda-feira que declarações recentes de Trump sobre um possível acordo contradizem pontos já negociados e indicam que Washington não busca nem um cessar-fogo nem um diálogo”. Nesta terça-feira, um frágil cessar-fogo entre Israel e Irã continuou a suspender as hostilidades trocadas entre os dois países desde domingo, depois que Trump apelou aos países para que os confrontos fossem interrompidos, uma vez que eles poderiam atrapalhar os esforços para alcançar um acordo de paz mais amplo entre Washington e Teerã. Israel, porém, continuou com operações militares contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, em Tiro, no sul do Líbano. Autoridades de saúde libanesas informaram que pelo menos oito pessoas morreram nos bombardeios. O Irã advertiu na segunda-feira que iria retaliar caso Israel realizasse novos ataques em território libanês. Teerã tem reiterado que qualquer acordo de paz com os EUA sobre o Oriente Médio deve incluir todas as frentes de batalha, incluindo o Líbano, enquanto Israel e Washington tentam separar tratar as questões separadamente.