Arjan Meijer, presidente e CEO da Embraer Aviação Comercial, disse que a forte competição hoje entre o E2 da brasileira e o A220 da Airbus é um reforço de que há uma oportunidade no mercado de aviões de corredor único (narrow-body) de menor porte. “Nós dois achamos que há um mercado forte e que ele precisa de atenção”, disse, em coletiva de imprensa em São José dos Campos com veículos internacionais. A Embraer trouxe a São José dos Campos 68 jornalistas de diversas partes do mundo que atenderam a 82ª Assembleia Geral Anual da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata), que desta vez foi no Rio e se encerrou na segunda-feira (8). Os jornalistas foram levados do Rio para São José dos Campos em um avião E195-E2 novo e que foi cedido pela Porter Airlines. “Nos últimos anos, adicionamos muitos clientes [ao E2]. Em breve vamos ter o mesmo número de clientes que o nosso concorrente”, disse, destacando que o modelo do concorrente iniciou operação três anos antes. Hoje, a família E2 está em 24 companhias aéreas, divididas em 23 países. São 504 ordens firmes para o produto. O executivo disse ser natural perder algumas campanhas já que a escolha do avião correto tende a ser uma análise complexa e que vai muito além de preço. “Você pode ganhar um avião de graça, mas se ele não for o correto, você vai sofrer para operar”, disse. O E2, entretanto, tem saído na frente. A Embraer tem hoje 76% de participação de mercado no segmento contra o A220. “Não ganhamos todas as campanhas, mas estamos felizes de ter esse sucesso diante do nosso competidor”, disse. O executivo foi questionado ainda sobre os passos da Airbus de lançar uma versão maior do A220. Segundo Meijer, ao levarem a família para uma versão maior, a empresa estaria se afastando ainda mais do segmento que hoje o E2 opera. O executivo foi questionado ainda sobre a competição com o Max 7 da Boeing, modelo de menor porte da família Max que está em processo de certificação. Segundo o executivo, o Max 7 está na mesma família do E2, mas tem características bastante diferentes. “Ele está no mesmo segmento, mas tem propósitos diferentes”, disse. Durante breve manifestação à imprensa, Francisco Gomes Neto, presidente da Embraer, disse que o foco do grupo hoje está em alavancar a produção. “Estamos investindo para aumentar a capacidade, investindo para garantir que a cadeia de suprimentos vai nos acompanhar. O foco é ganho de eficiência. Para maximizar os ativos. Produzir mais aviões com o ativo existente”, disse. *Repórter viajou a convite da Embraer — Foto: Roslan Rahman/Agência O Globo