O ministro dos Negócios Estrangeiros admitiu, nesta terça-feira, que o acordo do uso da Base das Lajes pelos Estados Unidos deverá ser revisto, mas defendeu que só após a crise no Médio Oriente, remetendo esclarecimentos para uma audição parlamentar.Em entrevista à RTP/Antena 1, Paulo Rangel afirmou que a actual conjuntura internacional demonstra que o mundo atravessa uma profunda transformação estratégica, o que reforça a necessidade de reavaliar instrumentos negociados há cerca de três décadas.“Passaram 30 anos sobre o acordo que foi feito”, argumentou Rangel, sustentando que “é natural que haja muitos ajustamentos a fazer” num contexto internacional que considera substancialmente diferente daquele que existia em meados da década de 90.O chefe da diplomacia portuguesa defendeu, contudo, que uma eventual revisão do acordo das Lajes não deve ser feita sob a pressão dos acontecimentos actuais no Médio Oriente.“Quando se dissipar e se resolver este conflito, essa seria uma altura para começar a pensar nisso”, explicou o principal diplomata português.Questionado sobre a utilização da infra-estrutura açoriana pelos Estados Unidos durante as operações militares relacionadas com o Irão, Rangel rejeitou a ideia de que Portugal tenha servido de base para o conflito, sublinhando que Lisboa sempre defendeu uma solução diplomática.Segundo o ministro, a utilização das Lajes continua sujeita a condições previamente estabelecidas por Portugal, incluindo a exigência de que qualquer acção seja uma resposta a um ataque, respeite os princípios da necessidade e proporcionalidade e não tenha civis como alvo.O ministro indicou ainda que voltará ao tema numa intervenção no Parlamento prevista para meados de Junho.