Eduardo Lobo, presidente da Abipesca, fala sobre estratégia para reduzir perdas com novas tarifas impostas pelos EUA — Foto: Acervo Abipesca RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/06/2026 - 09:52 Setor de Pescados no Brasil Acelera Exportações para EUA Antes de Tarifas O setor de pescados no Brasil planeja aumentar em até 30% suas exportações para os EUA neste mês, antecipando embarques devido a novas tarifas de até 37,5% que entram em vigor em julho. A estratégia visa minimizar perdas, já que a antecipação é limitada pela natureza da pesca. A Abipesca busca reinclusão no Plano Brasil Soberano para mitigar impactos. A expectativa é de crescimento de 10% na produção em 2023. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O setor de pescados deve ampliar entre 25% e 30% o volume exportado para os Estados Unidos neste mês. Isso significa que, aos 2,28 milhões de quilos previstos para chegar ao mercado americano em junho, poderão ser acrescidos mais 686 mil quilos. Diante da possibilidade de entrada em vigor de novas tarifas a partir de 15 de julho, que, somadas, chegam a 37,5%, os exportadores vão antecipar para a primeira quinzena os embarques previstos para o fim de junho. Além disso, o volume inicialmente programado para o início de julho será enviado ainda neste mês. Essa é um das estratégias do setor para minimizar perdas com um possível novo tarifaço, diz o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescados (Abipesca), Eduardo Lobo. Ele explica não ser possível antecipar um volume ainda maior devido à própria natureza da atividade. — Não é possível antecipar um cruzeiro de pesca, assim como não se pode antecipar a maturidade do animal para o abate na piscicultura. O que vamos fazer é uma aceleração logística. O presidente da Abipesca conversou com o blog nesta manhã, pouco antes de embarcar de São Paulo para Brasília, onde tem encontro marcado com os ministros da Pesca e da Agricultura. A principal pauta da reunião, antecipou Lobo, é o pedido de reinclusão do setor de pescados no Plano Brasil Soberano, programa do governo federal voltado para proteger os exportadores brasileiros contra choques externos. — Os pescados são a única proteína incluída nas novas tarifas, que acabam praticamente igualando a taxação à que fomos submetidos em 2025. No ano passado, menos de 10% dos exportadores do setor conseguiram acessar os benefícios do programa. Eram tantas exigências que, quando as empresas conseguiram reunir toda a documentação, o prazo já havia se encerrado. Com a derrubada do tarifaço, fomos retirados do plano, mas, com essas novas taxas, vou pedir que os pescados voltem a ser incluídos entre os setores exportadores beneficiados — explica Lobo. A nova taxação americana encontra o setor mais preparado. Lobo afirma que foram abertos novos mercados na China, na Austrália, em Singapura e em países da África e do Oriente Médio. As vendas para este último grupo, no entanto, têm sido prejudicadas pela guerra envolvendo o Irã. O executivo diz que a expectativa do setor para este ano é de um crescimento de 10% na produção. Antes do anúncio das novas tarifas americanas, a estimativa da Abipesca era atingir a marca de US$ 500 milhões em exportações. No ano passado, as vendas externas somaram US$ 370 milhões, resultado que ficou US$ 100 milhões abaixo do esperado. — Nosso setor trabalha com margens entre 8% e 12%, e tivemos que reduzi-las para entrar em novos mercados. Para manter as vendas para os Estados Unidos, em alguns casos chegamos a operar com margem negativa. O fato é que o mercado americano é muito importante para o setor. No caso da tilápia, ele responde por mais de 90% das vendas. A abertura de novos mercados foi importante e tivemos apoio da Apex e dos ministérios da Pesca e da Agricultura, mas esses mercados ainda precisam ser consolidados. Nossa expectativa é que ainda consigamos retirar os pescados da nova taxação — afirma o presidente da Abipesca, acrescentando que as exportações para os EUA representam 41,5% do volume total previsto para junho. Confira os volumes de exportação para cada mercado em junho: Estados Unidos:2.287.676 kgChina: 660.854 kgGabão: 396.850 kgArgentina: 375.423 kgCongo: 273.500 kgUruguai: 209.263 kgRepública Dominicana: 162.652 kgPeru: 159.252 kgGuiné: 112.000 kgColômbia: 99.393 kgLibéria:96.731 kgTailândia: 70.600 kgChina, RAE Hong Kong: 69.542 kgSingapura: 55.870 kgCosta Rica: 47.984 kgCoreia do Sul: 45.632 kgBélgica: 41.829 kgCanadá: 40.293 kgAustrália: 35.098 kgChile: 33.338 kgCosta do Marfim: 27.500 kgGuiné Equatorial: 27.360 kgTotal: 5.512.221
Nova taxação leva setor de pescados a aumentar em até 30% os embarques para os EUA neste mês
Nova taxação leva setor de pescados a aumentar em até 30% os embarques para os EUA neste mês








