A Turquia buscará mobilizar apoio para uma meta global que prevê que a eletricidade responda por 35% da demanda mundial de energia até 2035, com o objetivo de reduzir o consumo de combustíveis fósseis, afirmou nesta terça-feira (9) o presidente da próxima conferência climática da Organização das Nações Unidas (ONU). A iniciativa faz parte dos preparativos do país para sediar a Conferência das Partes (COP31), em novembro, e busca acelerar a substituição de petróleo, carvão e gás em setores como transporte, indústria pesada e aquecimento residencial por tecnologias elétricas, como fornos industriais eletrificados, veículos elétricos e bombas de calor. Atualmente, cerca de 20% da demanda global de energia é atendida por eletricidade. O restante provém majoritariamente de combustíveis fósseis, além de aproximadamente 10% gerados por biocombustíveis e resíduos. O ministro do Meio Ambiente da Turquia, Murat Kurum, que presidirá a COP31, em Antália, disse que a meta busca proteger famílias e empresas da volatilidade dos mercados energéticos e que o país pretende formar uma coalizão internacional de apoio ao compromisso. “Também trabalharemos em estreita colaboração com todos os países, especialmente as economias em desenvolvimento, para facilitar o acesso à assistência técnica, ao fortalecimento de capacidades e ao apoio financeiro em linha com esse objetivo”, afirmou Kurum. A meta para eletricidade terá caráter voluntário e não fará parte de um acordo formal que exija o apoio dos cerca de 200 países esperados na COP31. A configuração da conferência será incomum: a Turquia sediará o encontro em Antália, enquanto a Austrália conduzirá formalmente as negociações climáticas da ONU, após os dois países apresentarem candidaturas para receber o evento. Segundo a Turquia, as disrupções nos mercados globais de petróleo e gás provocadas pela guerra envolvendo o Irã já estão acelerando a eletrificação em algumas economias. A demanda por veículos elétricos aumentou em países como Coreia do Sul, Japão e Itália desde o início do conflito, à medida que consumidores buscam reduzir a exposição à alta dos preços dos combustíveis. A eletrificação reduz as emissões de gases de efeito estufa ao substituir o uso direto de combustíveis fósseis por eletricidade proveniente de fontes de baixa emissão de carbono. Atualmente, a geração de eletricidade é o setor que mais rapidamente reduz sua intensidade de carbono na economia global. Especialistas alertam, porém, que a eletrificação não garante automaticamente energia mais limpa. Enquanto países como França e Suécia produzem eletricidade majoritariamente a partir de fontes livres de emissões, como energia nuclear e renováveis, outros, como China e Índia, ainda dependem fortemente do carvão para gerar eletricidade.