A expansão do programa Gás do Povo, que prevê o acesso gratuito de botijões de gás de cozinha a cerca de 15 milhões de famílias de baixa renda, fez a indústria ampliar as projeções de consumo, e abriu uma divergência entre distribuidoras de gás (GLP), fabricantes dos recipientes de aço e gigantes da siderurgia brasileira.

A Folha teve acesso a uma série de documentos apresentados por empresas e representantes dos setores, os quais revelam um embate criado a partir de um pedido do Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo) para importar os vasilhames sem pagar Imposto de Importação.

A entidade empresarial solicitou à Camex (Câmara de Comércio Exterior), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, que o governo zere por um ano a tributação hoje aplicada a quem compra no exterior os tradicionais botijões de 13 quilos, comumente usados em residências.

Os vasilhames importados têm taxa de 12,6% de imposto. O setor argumentou que a expansão do Gás do Povo vai criar uma demanda extra de milhares de novos botijões. Por isso, pedem para importar até 10 milhões de unidades no ano sem pagar o imposto.

O pleito causou indignação dos fabricantes nacionais de vasilhames, que se queixaram à Camex. A câmara reúne representantes de dez ministérios, e é o fórum governamental em que se discute reduções tributárias para setores que necessitem ampliar a importação de produtos que tenham concorrentes no mercado interno.