Parecia uma segunda-feira aparentemente normal, quando a gaúcha Mari Camardelli, 40, paralisou. "Estava no carro e, de repente, não sabia mais dirigir", lembra. Pediu ajuda para pessoas na rua e conseguiu chegar em casa.

Ela conta que se assustou, mas pensou que fosse algo passageiro. Dois dias depois, entrou em uma reunião e, ao ver as pessoas na tela, não conseguiu reconhecer alguns rostos.

Preocupada, buscou atendimento médico e recebeu o diagnóstico de burnout. Também chamado de síndrome do esgotamento profissional, o distúrbio decorre de sobrecarga extrema no trabalho. No caso de Mari, questões profissionais se somaram às demandas do trabalho invisível dentro de casa, comum às mulheres, como resolver pendências domésticas e problemas dos filhos e do marido.

"Eu tinha entrado em colapso, o que acontece quando você tenta ligar todos os equipamentos ao mesmo tempo", diz ela, que é especialista em inteligência emocional, educadora parental e fundadora da comunidade Somos Madrastas.

Questões de saúde mental não eram novidade para Mari, que em 2024 publicou o livro "(Sobre) Carga Mental" (Much Editora). Ela conta que, apesar de conhecer os riscos do esgotamento, não se protegia.