A Trionda, bola oficial da Copa do Mundo de 2026, está mais conectada ao Árbitro Assistente de Vídeo (VAR, na sigla em inglês). Deve ajudar os árbitros a identificar com mais rapidez infrações, como o toque de mão e impedimentos, durante as 104 partidas do mundial de futebol, que começa na próxima quinta-feira, 11 de junho, e vai até 19 de julho, em três países: México, Canadá e Estados Unidos. Inovações em aerodinâmica e design, como a ausência de costuras e relevos também estão entre as novidades da bola fabricada pela Adidas, que começa a rolar no gramado do Estádio Azteca, na Cidade do México, durante a partida de estreia do evento entre as seleções do México e da África do Sul. A conectividade da bola com o VAR estreou na Copa do Catar, em 2022, com a Al Rihla, que significa “a jornada” em árabe. Na Trionda, 15ª bola fabricada pela Adidas, o chip é um sensor de movimento de 500 Hertz (Hz), que opera com uma taxa de atualização de 500 vezes por segundo, ganhou mais precisão. O líder da área de futebol da Adidas Brasil, Lucas Barillari, disse ao Valor que a nova tecnologia marca toda a movimentação da bola em campo, ajudando os árbitros a definirem situações de impedimento, se houve toque de bola no jogador ou se a bola cruzou a linha do gol, de fato, por exemplo. O novo chip conecta a bola ao VAR e ajuda a arbitragem a tomar decisões mais rápidas” “O primeiro chip, da Al Rihla, focava muito em ajudar algumas decisões dos árbitros no momento da linha do gol então ele era mais específico”, compara Barillari. “Este é um chip renovado e mais tecnológico para ajudar o jogo, conectando a bola diretamente ao VAR e ajudando a arbitragem a tomar decisões mais rápidas”, complementa o executivo. A nova geração de conectividade da bola da Copa foi desenvolvida em colaboração com a empresa de tecnologia alemã Kinexon, especializada em internet das coisas (IoT), análise de dados e sistemas de localização em tempo real. A posição do sensor na bola também mudou. Na Al Rihla, o sensor estava suspenso no centro da bola. Já na Trionda, ele está fixado a uma camada interna em um dos quatro painéis. Segundo a fabricante, a adição de contrapesos, nos outros três painéis, garante estabilidade e equilíbrio durante o curso da bola. No design da Trionda, cujo nome é uma referência à “ola”, o movimento de onda feito pelas torcidas em estádios, a Adidas reduziu o número de painéis, ou gomos, de 20 na Al Rihla, para apenas quatro, unidos por um processo de selagem térmica, sem costura, informa a empresa. A nova bola também possui linhas coloridas e ranhuras em forma de ondas, bem como pequenos ícones em relevo que representam cada um dos países-sede do torneio - uma estrela para os Estados Unidos, uma folha de bordo como símbolo do Canadá e uma águia para o México - em um projeto que priorizou a performance da bola em campo. “Antes do design, das cores e desenhos, definimos o que teremos de elementos técnicos na bola, que vão ajudar na performance do jogo, que é um jogo mais rápido e um pouco mais físico, diferente da Copa de 2022”, afirma Barillari. A redução dos painéis e a eliminação da costura “têm impacto direto no peso e, principalmente, na resistência da bola ao ar”. O peso bola desta Coa do Mundo segue o regulamento da Federação Internacional de Futebol (Fifa), mantendo-se entre 420 e 445 gramas. Já os pequenos ícones em relevo foram introduzidos para “criar um pouco de textura na bola, aumentando a estabilidade, resistência e aderência” às chuteiras em dribles e chutes mesmo quando o campo estiver úmido ou molhado. Feita com material sintético, sendo 52,3% de origem biológica e 15,6% de material reciclado, a Trionda, assim como a Al Rihla, possui acabamento finalizado com tintas e colas à base d’água. A estrutura interna é 100% feita de materiais reciclados. Antes de chegar aos pés dos jogadores, a Trionda foi submetida a uma bateria de testes no laboratório da sede da Adidas, em Herzogenaurach, uma pequena cidade do estado da Baviera, na Alemanha. “São feitos testes para entender qual a velocidade de voo da bola, sua resistência ao ar, como ela se comporta em diferentes tipos de gramado e em diferentes climas”, diz Barillari. Depois do laboratório, a Trionda passou por testes em campo, com jogadores de categorias de base de times patrocinados pela Adidas. Um dos testes foi realizado no Brasil, há cerca de dois anos, simulando o clima mais quente, já que o torneio acontece durante o verão no Hemisfério Norte. “A Adidas sempre usa a Copa do Mundo como um laboratório de novas tecnologias para outros campeonatos e produtos que iremos usar", diz. Ao longo das 104 partidas da competição, cerca de 1.500 bolas entrarão em campo, considerando um uso médio de dez a 15 bolas por jogo, estima o executivo. A Trionda está disponível para venda ao consumidor desde outubro. A versão Pro possui as mesmas características da bola que será usada na Copa, exceto o chip. A fabricante também desenvolveu outros modelos da linha - Trionda Competition, League, Training e uma versão pequena, a Minibola Trionda.