No primeiro trimestre, a estatal registrou prejuízo de R$ 3,2 bilhões A ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 08/06/2026 - 18:06 Correios enfrentam prejuízo histórico de R$ 3,2 bi em 2023, afirma ministra Esther Dweck A ministra da Gestão, Esther Dweck, afirma que os Correios terão o pior resultado da história em 2023, com prejuízo de R$ 3,2 bilhões no primeiro trimestre. Porém, isso faz parte do plano de reestruturação, e a empresa deverá apresentar bons resultados futuramente. A ministra também critica decisões do STF que impactam o planejamento estatal e destaca a necessidade de recomposição dentro das regras fiscais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, afirma que os Correios terão o pior resultado da sua história neste ano, após o recorde de R$ 8,5 bilhões em 2025. Isso, porém, está dentro do plano de reestruturação da empresa, que voltará a ter bons indicadores, afirma. No primeiro trimestre, a estatal registrou prejuízo de R$ 3,2 bilhões. Esther Dweck explica que, além do prejuízo, deve haver um déficit grande neste ano. O déficit é um indicador para as contas públicas e não sobre o resultado efetivo da empresa. Nesse caso, o número negativo ocorrerá porque o empréstimo de R$ 12 bilhões só entrou nos cofres da empresa no fim do ano passado e os valores serão gastos em 2026. — Mas não é um descontrole, não é algo não previsto. O plano de recuperação está indo muito bem. A ministra ainda classifica como “muito ruins” decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinam contratações em determinados órgãos, afirmando que isso afeta o planejamento em outras áreas, ao comentar as determinações relativas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). No mês passado, o ministro Flávio Dino, do STF, determinou que pelo menos 70% da arrecadação da taxa de fiscalização dos mercados de títulos e valores mobiliários sejam destinados à CVM. Além disso, o magistrado determinou a apresentação pela União de um plano de reestruturação da atividade de fiscalização do setor para 2026, que já foi enviado, e de um projeto complementar de médio prazo. Dweck afirma que, apesar do trabalho “hercúleo” do governo, a carência de estrutura, de pessoal e orçamentária ainda permanece em diversas áreas, mas argumenta que os governos anteriores fizeram uma “destruição” e que é necessário fazer a recomposição dentro das regras fiscais. A ministra diz que o governo propôs uma série de ações no plano entregue ao STF e que espera que a Corte tenha “sensibilidade” de enxergar tudo que já foi feito, porque a “CVM não reconheceu”. Os Correios registraram um prejuízo recorde no 1º trimestre, de R$ 3,2 bilhões. Está dentro do plano de reestruturação da empresa? Sim, era esperado. O plano de reestruturação da empresa já previa que este ano teria o pior resultado. E esperamos que seja o pior resultado da história para a partir de então voltar a ter bons resultados. Inclusive, o resultado do primeiro trimestre ficou melhor do que a previsão, segundo o presidente Emmanoel (Rondon). No ano passado, o (resultado) primário foi um déficit de R$ 1 bilhão e houve um prejuízo de R$ 8 bilhões. Neste ano, deve ter um prejuízo grande também e o déficit deve ser ainda maior. Por quê? Como o empréstimo só saiu muito no fim do ano, entrou o dinheiro em 30 de dezembro na conta dos Correios, e eles não gastaram. O pagamento que eles estão fazendo esse ano é com base em renegociação com os credores, com fornecedores, para poder reduzir custos. Então neste ano o prejuízo deve ser alto, e o déficit deve ser muito alto. Mas não é um descontrole, não é algo não previsto. O plano de recuperação está indo muito bem. Há resultados negativos em algumas ações, como o plano de demissão voluntária (PDV). Qual é o sinal de que está indo bem? Mas o PDV tem uma estimativa. Tem outros planos associados de contingência, sabendo que não necessariamente a adesão será tão grande. Isso já era esperado. Eles estão conseguindo parcerias importantes, novos contratos e retomaram contratos. A receita está vindo acima do esperado. Estão conseguindo voltar a ter o prazo de entrega em um tempo razoável, que dá margem para conseguirem mais contratos. Uma parceria deve ser anunciada em breve com a Receita Federal. Como deve ser essa parceria com a Receita? Está ligada à parte logística de galpões. Porque a Receita tem apreensões e acaba tendo que fazer a logística desse material. A ideia é que isso passe para os Correios. Vai reduzir custo da Receita e gerar receita para os Correios. Ainda que não seja o indicador mais completo de saúde das empresas públicas, o rombo primário das estatais federais de janeiro a abril foi recorde. É um sinal de alerta? Tem 15 empresas que estão passando por um processo de reestruturação, que ocorre por setores. Mas todas ou são dependentes ou têm um impacto pequeno, porque não são grandes como os Correios. As duas empresas que afetam muito o déficit são os Correios e a Emgepron (de projetos navais). Correios, porque de fato é uma falta de receita frente às despesas e é um déficit que se transforma num prejuízo efetivamente. E Emgepron, que tem um déficit grande, porém um lucro grande também. A Emgepron teve um déficit de R$ 2,8 bilhões no ano passado, lucro de R$ 319 milhões e um investimento de R$ 2,6 bilhões. O investimento se transformou em déficit basicamente. No ano passado, houve várias empresas com déficit, mas só os Correios com prejuízo. Nas outras 17 empresas que divulgaram resultado, nove estão com déficit. Já está pronto o projeto para disciplinar os penduricalhos nos Poderes? A gente internamente no governo já tem uma linha geral do nosso projeto, mas ainda pretendemos fazer uma conversa com os outros Poderes e avaliar o momento ideal de enviar o projeto para o Congresso. Não sabemos se vai fazer a pactuação enviando o projeto, depois discute, ou se discute antes e envia o projeto já alinhado. Eu acho que, do ponto de vista da urgência, a decisão do Supremo acabou gerando um freio de arrumação. No Executivo, mais ou menos 1% de ativos, pensionistas, inativos que têm abate teto, ou seja, que chegam perto do teto. E o que é pago como indenização tem base legal. E o que é mais importante para o Executivo? O número um é que não tenha uma decisão que afete o Executivo para majorar nossos custos. Temos muita preocupação, por exemplo, com o aumento do teto (salarial, hoje R$ 46,3 mil). Reajustes no teto acontecem e a imaginamos que no próximo período vai acontecer, mas esperamos que seja um reajuste dentro das questões inflacionárias e não um grande aumento para acomodar coisas que são pagas extrateto de forma equivocada. Nos outros Poderes, têm muitas coisas que eram pagas com base em decisões administrativas, que não tinham uma base legal. E achamos que algumas coisas precisam ter uma limitação de valor. Férias, 13º, o que é decisão constitucional, está tudo baseado no salário das pessoas, não precisa de valor. Mas auxílio moradia, alimentação, isso pode ser qualquer valor em princípio. Estamos calibrando se vai ter um teto geral ou se vai ser por benefício. Mas a senhora acha que ainda vai ter espaço para discutir esse assunto em ano eleitoral? Eu tenho conversado tanto com o presidente (do STF, Edson) Fachin quanto com o presidente Hugo (Motta, da Câmara), que estava muito com essa bandeira. Ambos querem fazer essa discussão. Pelo menos com o Supremo, talvez a gente consiga ainda fazer este ano, porque tem um uma dinâmica que não está muito atrelada ao calendário eleitoral, como é o caso do Congresso. A regra de transição do Supremo trouxe de volta o quinquênio no Judiciário. Isso preocupa? Gera uma distorção entre um Poder e outro. Mas, enquanto não afetar nenhuma carreira do Executivo, conseguimos segurar a pressão no Executivo. Para nós, isso é melhor do que um aumento simplesmente do teto. No caso da CVM, a discussão no Supremo sobre a estrutura gerou um mal-estar? É um retrato do que aconteceu no Brasil entre 2016 e 2022. Quando chegamos, a realidade de todos os órgãos era de carência de pessoal, orçamento, estrutura. Na CVM, aumentamos os cargos de comissão para poder ter estrutura, criamos áreas novas, autorizamos o concurso, chamamos excedentes do concurso e houve aumento de orçamento. Teve uma reestruturação, mas não foi suficiente, assim como não foi suficiente na grande maioria das áreas. Temos restrições fiscais, limites do que podemos fazer. A gente está recompondo dentro das regras fiscais. Na CVM, fizemos uma reestruturação do salário. Mas, diante da destruição anterior, ainda não é suficiente, como vários outros não são. Quais outros? Banco Central, Ibama... Mas o Supremo pega os casos isolados e fala: "Tá faltando gente aqui". Se pegasse tudo, ia ver que está faltando em todos os lugares. Só que a gente está fazendo esse planejamento de recomposição da força, para saber quantas pessoas precisamos em cada órgão. É um processo de planejamento que o Executivo precisa fazer. É muito ruim quando vem uma decisão mandando contratar naquele órgão, porque às vezes eu estou deixando de contratar no outro, que está com problemas ainda maiores. E o limite orçamentário está dado. Foi negativa então a decisão do ministro Flávio Dino? Ainda não terminou. Propusemos uma série de coisas, e eu espero que eles tenham uma sensibilidade de enxergar tudo que a gente já fez, porque a CVM não reconheceu. Na audiência pública, a CVM disse que não tinha tido concurso e nenhuma reestruturação. Eram informações equivocadas. Foi uma insubordinação da CVM? Não é insubordinação. Todo gestor olha para o dele. E está com dificuldade. Não nego isso. Estamos fazendo um monte de coisa para reestruturar a capacidade do Estado de fazer entregas e precisamos trabalhar dentro dos limites orçamentários. Conseguimos manter o mesmo percentual do PIB no gasto com o pessoal no Executivo. Estamos fazendo um trabalho hercúleo de reestruturação diante da destruição que foi feita antes. E a solução para o BC será propor a retirada dos gastos do Orçamento Fiscal, passando para o Orçamento Monetário? É uma lógica de autonomia financeira para que o BC possa fazer investimento e ter algum tipo de flexibilidade de contratação até na área de TI (tecnologia da informação). Mas a gente não queria mexer na natureza jurídica, na questão dos servidores nem na relação entre o BC e o Tesouro. Já tem um texto que atende esses critérios. Qual texto? Acho que isso está pactuado, só que aí é uma questão de pactuação com o Congresso. Nossa visão é que o Plínio Valério (relator da proposta no Senado) tem um compromisso com determinadas coisas que ele não quer tirar do texto. Com as mudanças realizadas e o projeto para disciplinar os penduricalhos, a senhora acha que não tem mais necessidade de fazer uma Reforma Administrativa? Não existe uma bala de prata para a Reforma Administrativa. Esse é um processo que precisa ser trabalhado quase cotidianamente. A gente tem um balanço de mais 50 medidas que a gente fez nas três áreas principais: pessoal, digital e organizações. Muitas, inclusive, com ganhos orçamentários e financeiros. Acho que a gente tem que fazer uma pactuação entre Poderes e também entre esferas. Na nossa visão, quase nada precisa de mudança constitucional. Nem para estender para outras esferas? Eventualmente, precisa de alguma mudança constitucional para definir que lei nacional vai prever, mas são coisas relativamente pequenas. A gente pode pactuar, não sou contra uma mudança que eventualmente possa prever isso, mas não acho que isso é o que vai fazer o Estado brasileiro ser mais eficiente. A parceria que a gente está fazendo de governo digital com os estados e municípios já têm um potencial gigantesco de economia, de custo, de melhora de serviço e de ter um Estado mais moderno e atuante.
Entrevista: Correios terão pior resultado da história neste ano, mas voltarão a ter bons números, diz ministra da Gestão
No primeiro trimestre, a estatal registrou prejuízo de R$ 3,2 bilhões







