Qual é a primeira coisa que se ouve quando uma criança entra numa sala cheia de obras de arte únicas, algumas valendo milhões de reais? Muito provavelmente, serão as súplicas de um monitor ou segurança para que seus responsáveis não a deixem tocar em nada.
Se algo assim acontecesse, a nova exposição da Pinacoteca de São Paulo perderia a razão de ser. Os adultos é que são coadjuvantes em "Para Crianças: Experiências com a Arte desde 1968", que abriu no fim de maio e encerra em outubro, no fim de semana seguinte ao Dia das Crianças.
A mostra, segundo Ana Maria Maia, cocuradora ao lado de Lorraine Mendes, não existe sem esse público nem sempre benquisto em museus. "Em vez de arruinar, ele faz a obra existir, ele completa a obra."
O espírito da coisa transparece num caderno de atividades proposto no lugar daqueles catálogos com texto cabeça que geralmente acompanham grandes exposições. Ilustrado por Talita Hoffmann, que já fez capas de livros infantis para gente como Luiz Ruffato e os colunistas da Folha Tati Bernardi e Antonio Prata, o livro sugere várias brincadeiras que interagem com o trabalho dos 11 artistas na mostra, alguns muito conhecidos dos adultos, como Lygia Pape e Ernesto Neto.














