Na semana passada, o Governo apresentou os contornos da nova Prestação Social Única (PSU). Entre as várias medidas anunciadas está a possibilidade de os beneficiários serem chamados a realizar trabalho social como condição para receber o apoio. A recusa pode implicar a perda da prestação durante dois anos. Existem, naturalmente, excepções. Uma delas aplica-se a pessoas com um grau de incapacidade igual ou superior a 80%. O problema surge quando tentamos perceber o que significa, na prática, viver abaixo desse limiar.Tenho um grau de incapacidade de 60%. Trabalho e, como milhares de outros portugueses, continuo a existir numa espécie de zona intermédia: sou considerado incapaz para algumas coisas e capaz para outras.Quando pensamos em deficiência ou incapacidade, imaginamos uma cadeira de rodas ou uma amputação. Estas situações existem e merecem toda a atenção que recebem, mas representam apenas uma parte da realidade. A verdade é que uma percentagem significativa das pessoas com incapacidade não é imediatamente visível. Por exemplo, os doentes oncológicos e pessoas com determinadas doenças neurológicas, raras ou patologias degenerativas, podem aparentar-se saudáveis para um mero observador.