A agência Xinhua reportou nesta sexta (5) que Xi Jinping fará uma visita de Estado à Coreia do Norte na semana que vem a convite de Kim Jong-un. Será a primeira passagem do líder chinês por Pyongyang em sete anos, justificada pela comemoração dos 65 anos do Tratado de Amizade de 1961 que continua sendo o único pacto de defesa mútua que a China mantém no mundo.

A confirmação do encontro chega num momento de atrito nas relações bilaterais, com Pyongyang cada vez mais próxima de Moscou. Veio também um dia depois de Pyongyang divulgar a inauguração de uma usina de combustível nuclear, ocasião em que Kim exigiu a expansão exponencial do arsenal atômico do regime.

Espere ouvir as costumeiras análises em Washington e em Seul sobre a relevância da China para a sobrevivência do regime, respondendo por 95% do comércio norte-coreano e por 85% de suas exportações. O número é verdadeiro, mas a conclusão que se extrai dele não.

A Coreia do Norte jamais foi dependente da China no sentido político do termo. Durante a Guerra Fria, Kim Il-sung explorou a ruptura entre Moscou e Pequim para arrancar armas dos dois lados sem se curvar a nenhum. Quando a China decidiu reconhecer a Coreia do Sul em 1992, o regime respondeu ancorando sua sobrevivência em um crescente arsenal nuclear, não na boa vontade chinesa.