Problemas de acessibilidade em processos seletivos recentes no Instituto Federal Catarinense e na Universidade de São Paulo mostram como candidatos surdos ainda dependem da decisão de cada banca para saber se poderão fazer uma prova em condições compatíveis com sua língua e suas necessidades. No centro da disputa está a falta de critérios uniformes sobre como a Libras deve ser garantida em concursos, mestrados e outras avaliações acadêmicas.
No caso do IFC, 45 candidatos surdos denunciaram ao Ministério Público Federal que recursos de acessibilidade previamente aprovados para o concurso de professor de Libras não foram cumpridos no dia da prova. Entre os problemas relatados estão a ausência de guia-intérprete para candidatos surdos-cegos, falhas na tradução em Libras e dificuldades de compreensão do exame.
Um dos candidatos, Habdel Haussanm, afirma que viajou mais de três horas para realizar a prova e, ao chegar ao local, foi orientado a iniciar o exame sem o profissional de apoio autorizado pela banca.
“Eu sou surdo-cego. Como eu iria fazer uma prova se não consigo enxergar e não tinha o recurso que havia sido autorizado?”, critica.
Ainda segundo os denunciantes, o edital previa adaptações como intérprete de Libras, prova ampliada, ledor e tempo adicional, mas parte dessas medidas não teria sido de fato oferecida.














