Dados divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta sexta-feira (5) mostram que mais de um terço (36,3%) das pessoas que estavam ocupadas e buscaram trabalho no mês anterior à pesquisa apontaram o emprego formal, regido pela CLT, como o tipo de oportunidade mais atrativa. A preferência pelo emprego formal foi ainda maior entre os jovens, alcançando 41,4% dos brasileiros de 25 a 34 anos que estavam trabalhando e procuraram uma nova oportunidade no período. A 69ª edição da pesquisa “Retratos da Sociedade Brasileira” encerra uma série de três levantamentos divulgados pela CNI desde abril para compreender como a população avalia a situação profissional atual, a competência para enfrentar as transformações do mercado de trabalho e as expectativas para o futuro. No levantamento, 95% dos entrevistados se declararam satisfeitos com o emprego atual, sendo 70% muito satisfeitos. O estudo também mostrou que apenas um em cada dez brasileiros que estavam ocupados e procuraram emprego no mês anterior à pesquisa classificou como atrativas as oportunidades de trabalho autônomo em plataformas digitais, como motorista ou entregador de empresas de aplicativo. Além disso, somente 30% dos que demonstraram interesse em trabalhar por meio de plataformas digitais veem nessa modalidade de emprego a principal fonte de sustento. “Mesmo nesse cenário de novas modalidades de trabalho, em que a flexibilidade acaba sendo também uma moeda de troca, esses fatores tradicionais são valorizados e acabam sendo muito associados ao emprego com carteira assinada. Essa estrutura de trabalho continua sendo a primeira opção do trabalhador e é isso que faz com que ele continue mirando essa relação de trabalho formal no médio e no longo prazo”, avalia Claudia Perdigão, especialista em Políticas e Indústria da CNI. Salário, estabilidade e perspectiva de crescimento são os fatores mais valorizados na profissão que o trabalhador brasileiro quer exercer nos próximos cinco anos. Na pesquisa, 28,7% dos entrevistados apontaram o salário como o principal diferencial da ocupação desejada. Outros 22,4% assinalaram a estabilidade no emprego, enquanto 20,1% apontaram a perspectiva de crescimento na carreira. O levantamento mostra que esses fatores superaram, por exemplo, a flexibilidade do horário de trabalho (19,3%), a possibilidade de trabalhar de casa ou home office integral (15,9%) e a jornada de trabalho reduzida (9,8%). Os trabalhadores também listaram os obstáculos para alcançar as aspirações profissionais. Segundo 22% dos entrevistados, o maior entrave é a falta de oferta de vagas de emprego com boas condições. Para 17,6%, a segunda principal barreira é a falta de experiência prática suficiente, enquanto 16,9% apontam a falta de oferta de cursos de formação exigidos pelo mercado na região onde vivem como o terceiro maior empecilho. A necessidade de cuidar de parentes (16,1%); falta de formação ou qualificação exigida pelo mercado (12,7%); falta de informação sobre vagas disponíveis (11,9%); e discriminação por parte dos empregadores (8,3%) completam a lista dos principais entraves para a profissão almejada pelos entrevistados. Quatro em cada dez brasileiros (cerca de 43%) acreditam que o futuro profissional é incerto e não conseguiram responder em qual ocupação se veem daqui a cinco anos, aponta o levantamento. A insegurança quanto ao futuro profissional é maior entre os trabalhadores mais velhos. “Esse cenário de dúvida que recai sobre uma parcela muito grande dos trabalhadores brasileiros acaba sendo explicado, sobretudo, por essas inovações tecnológicas, que trazem preocupação com relação à adaptação do trabalho a essas tecnologias”, afirma a especialista em Políticas e Indústria da CNI. Entre aqueles que arriscaram projetar onde estarão daqui a cinco anos, apenas 13,9% querem ter seu próprio negócio, com destaque para o comércio varejista e serviços como salão de cabeleireiro, bares e restaurantes. Em relação à maturidade digital dos brasileiros, a pesquisa apontou que pouco mais de 54% da população apresenta domínio alto ou médio-alto de habilidades digitais. Esse percentual cai para 44,5% quando o assunto é o domínio alto ou médio-alto de habilidades digitais complexas, como o uso de inteligência artificial (IA), planilhas e configurações de computadores, aplicativos e programas. “Os resultados revelam um cenário marcado por contrastes: de um lado, trabalhadores satisfeitos com suas ocupações e pouco dispostos a mudar de emprego; de outro, um ambiente de rápidas mudanças tecnológicas que gera incertezas sobre os próximos passos da trajetória profissional”, conclui a economista. A pesquisa foi realizada pela Nexus. Foram entrevistadas 2.008 pessoas a partir de 16 anos, nos 26 Estados e no Distrito Federal, entre os dias 10 e 15 de outubro de 2025. Carteira de trabalho — Foto: Freepik
Mais de um terço dos brasileiros prefere CLT na hora de procurar emprego, aponta CNI
A preferência pelo emprego formal foi anotada por 36,3% das pessoas que responderam à pesquisa da Confederação Nacional da Indústria divulgada nesta sexta-feira (5)








