A adega e enoturismo da Azores Wine Company — “não é um hotel, é uma adega onde se pode dormir”, como explicam os responsáveis —, na ilha do Pico, nos Açores, venceu os prémios da Associação Portuguesa de Enoturismo (Apeno), entregues por estes dias em Loures. São 16 os projectos distinguidos nesta edição, que teve uma novidade, uma nova categoria que premiou o melhor projecto de familiar: o enoturismo da Quinta do Pôpa, no Douro.Entre os premiados, há empresas papa-prémios, como a que venceu o principal, a Azores Wine Company — que tem como sócio António Maçanita, que em 2025 também levara para casa este mesmo galardão, mas com a Fitapreta, o seu projecto no Alentejo —, ou o JNcQUOI (melhor restaurante), em Lisboa, por exemplo, mas também há produtores e iniciativas que costumam andar arredados dos prémios nacionais, como é o caso da transmontana Casa do JOA (melhor projecto sustentável) ou da Casa Museu Interactiva de Borba (melhor inovação e tecnologia).Para o outro arquipélago português, foi o prémio de melhor enoturismo urbano: a Madeira Wine Company, venceu nesta categoria, à conta do seu Blandy's Wine Lodge, em plena avenida Arriaga, na baixa do Funchal.Nos prémios individuais, a dupla Cintia Koerper e Joachim Koerper conquistou para a Herdade da Malhadinha Nova (Alentejo) a distinção “melhor chef de cozinha”. Vera Magalhães, a directora de enoturismo da João Portugal Ramos, cuja base é a adega Vila Santa, em Estremoz, foi, na opinião do júri — composto por jornalistas especializados e os mais variados profissionais do sector da gastronomia e vinhos —, a melhor profissional a trabalhar no sector no ano que passou. Sandra Reis, sommelier do Sala de Prova, restaurante inserido no Time Out Market da estação ferroviária de S. Bento, no Porto, venceu na categoria que distingue esta profissão.Melhor estadia foi o prémio entregue à Herdade do Sobroso (Alentejo). A Symington Family Estates venceu o prémio para a melhor sala de provas, com a Sala Vintage (Vila Nova de Gaia), um dos espaços mais exclusivos da Graham's e que nas caves históricas desta marca proporciona uma experiência de prova intimista e diferenciadora, evocando uma biblioteca clássica. A Vila Galé, que detém as marcas de vinho Santa Vitória (Alentejo), Val Moreira (Douro) e Paço do Curutêlo (Vinhos Verdes) e tem enoturismo em cada um dos terroirs que lhes dão origem, foi considerada a melhor empresa de turismo. A AdegaMãe (Lisboa), cujo espaço foi construído a pensar na facilidade de acesso e está preparado para receber todo o tipo de visitantes, venceu na categoria de melhor projecto inclusivo.A melhor loja de enoturismo do país é a da Casa Ermelinda Freitas, em Palmela: o espaço é novo, foi inaugurado na segunda metade de 2025, e é uma loja moderna e acolhedora que combina a história familiar com experiências sensoriais e únicas. E na categoria Arte e Cultura, o melhor projecto é o Aliança Underground Museum da Bacalhôa, em Sangalhos (Bairrada). A melhor hospitalidade foi aquela com que o hotel vínico Torre de Palma recebeu os seus hóspedes.Reacções e outros prémiosPara Judith Martin, directora de enoturismo da Azores Wine Company, o grande vencedor desta edição do Prémio Nacional de Enoturismo, a distinção dada à adega picoense é o reconhecimento do “esforço e trabalho que têm sido feitos por toda a equipa desde o início” do projecto. “É uma distinção que nos enche de orgulho, sobretudo pela dificuldade bastante acrescida que representa fazer um projecto destes numa ilha pequena e tão distante”, sublinha a responsável, numa nota de imprensa enviada às redacções.António Maçanita e Filipe Rocha ergueram a Azores Wine Company a partir da recuperação de dezenas de hectares de vinhas abandonadas e da exploração do potencial das castas açorianas, tema caro ao primeiro, quase uma obsessão. A criação da empresa em 2014 (na altura, com um terceiro sócio, Paulo Machado) espoletaria, conforme hoje é unanimemente reconhecido, o reposicionamento dos Açores, e em concreto do Pico, no mundo dos vinhos.O projecto de enoturismo, com adega, sala de provas, alojamento e restaurante, só surgiria em 2021. Mas de imediato a sua arquitectura, uma colaboração entre a SAMI-arquitectos e a DRDH-Architects, despertaria todas as atenções, tendo mesmo conquistado o prémio RIBA International Award for Excellence em 2024. “Há uma preocupação transversal a todo o projecto em oferecer a melhor experiência em harmonia com a paisagem única onde estamos integrados, a paisagem da cultura da vinha da iha do Pico, património mundial da UNESCO”, sublinha Filipe Rocha, citado no mesmo comunicado.Para lá das distinções principais, a Apeno voltou a entregar prémios de “mérito e incentivo”, a Helena Dimas, da Ode Winery, e à Honrado Vineyards, projecto de vinho de talha em Vila de Frades.Em comunicado, a presidente da Apeno destacou “o crescimento da qualidade dos projectos candidatos e o envolvimento cada vez maior do sector”, tendências que, argumenta, “demonstram a maturidade e a capacidade de inovação do enoturismo português”. “É muito gratificante ver diferentes regiões representadas e perceber que o sector continua a evoluir de forma consistente”, escreve Maria João de Almeida no texto que a Apeno fez chegar aos jornais. O sector, lembra ainda a responsável, “é estratégico para os territórios e para a promoção do país”.A cerimónia de entrega de prémios decorreu na última sexta-feira na histórica Quinta Condes de Valadares, em Loures, e contou com o apoio da Entidade Regional do Turismo de Lisboa e da autarquia local, assim como com o alto patrocínio da Presidência da República.