Terminou sábado em São Paulo no último sábado a 13ª edição do Vinhos de Portugal, que durante três dias reuniu produtores, críticos, consumidores e curiosos no Shopping JK Iguatemi. As atividades se dividiram, basicamente, entre o Salão de Degustação, no qual 77 produtores ofereceram cerca de 700 rótulos, e a Sala de Provas. No início da tarde de sábado, uma das provas mais disputadas foi “Monocastas com Pedro Silva Reis”, enólogo que representa a terceira geração da Real Companhia Velha, a empresa mais antiga de vinhos de Portugal ainda em atividade. O encontro teve mediação de Thomas Sampaio, criador da plataforma de conteúdo Jovem do Vinho, e da jornalista portuguesa Alexandra Prado Coelho. A prova trouxe seis vinhos de uvas totalmente desconhecidas entre o público brasileiro e que mesmo em Portugal não são conhecidas. É que se trata de um trabalho da Real Companhia Velha que decidiu resgatar castas autóctones que haviam praticamente desaparecido.. Os nomes são instigantes: Samarrinho e Donzelinho, uvas brancas, e as tintas Bastardo, Malvasia Preta, Rufete e Cornifesto. — É um trabalho que estamos fazendo no Douro e já recuperamos 29 variedades — contou Pedro Silva Reis. O resultado está na coleção Séries, que já possui 15 rótulos e vinhos muito diferentes entre si, produzidos através de uma vinicultura sustentável. — Em 2021, quando apresentamos as primeiras garrafas, os vinhos foram muito rejeitados pelos consumidores, mas, os sommeliers gostaram muito e, aos poucos, começaram a oferecê-los para clientes nos restaurantes de fine dining. Sala de Provas na edição paulistana no Vinhos de Portugal 2026 — Foto: Rogerio Vieira/Valor A prova foi animada, com referências ao cotidiano, sem qualquer formalismo. Ao comentar a casta Rufete, por exemplo, o enólogo dizia que resulta “num vinho de terno e gravata, mas que quando arregaça as mangas mostra os braços todos tatuados”. É a busca por novidades assim, que aprofundam o conhecimento de quem gosta de vinhos e que atrai o público que compareceu a inúmeras provas. Outro fator de atração é a chance de experimentar, mesmo que em quantidades pequenas, grandes vinhos, de alto valor, que estão presentes em algumas provas especiais. Evento volta ao Rio A etapa do Rio de Janeiro, que acontece de 5 a 7 de junho, no Jockey Club, na Gávea, trará algumas dessas preciosidades. No domingo, dia 7, o crítico português Manuel Carvalho e a sommelière Cecilia Aldaz, do restaurante Oro, vão apresentar "A alma dos grandes vinhos do Douro”, que reúne rótulos imperdíveis, entre eles o Adelaide 2017, um vinho de alta gama, produzido pela Quinta do Vallado e importado pela Grand Cru, cujo preço para o consumidor final é de R$ 4.999. João Roquette, diretor de exportação da Vallado, conta que o vinho é pouco conhecido por aqui pois a produção é pequena, cerca de três mil garrafas, e não acontece em todas as safras. — Por outro lado, a maior parte do vinho fica em Portugal porque é vendido muito rapidamente. Mas mesmo no Brasil, o Adelaide não chegava desde 2019. Diferentemente de outros clássicos de alta gama e mais tradicionais como o Barca Velha (R$ 10 mil, importado pela Zahil ) e Pêra-Manca (R$ 5.100, trazido pela Adega Alentejana), o Adelaide tem um rótulo contemporâneo e uma garrafa que chama atenção, com a base pintada em cor de laranja. O designer que a criou se inspirou nos sapatos de sola vermelha do estilista francês Christian Louboutin, que ganharam fama e chamaram atenção mundo afora por esse detalhe. O Vinhos de Portugal no Rio, que reunirá 80 produtores, terá atrações diferentes de São Paulo até na disposição de atividades gratuitas como o Tomar um Copo, onde especialistas conversam com o público enquanto degustam uma taça de vinho. Na versão carioca, ela terá o formato de um bar, com mesas de bistrô e bancos altos. Uma novidade entre as atrações é o Portugal à Prova, que tem o intuito de mostrar o país além do vinho. Nesse espaço, haverá degustação de azeites, queijos e conservas. Tudo em torno de conversas sobre turismo literário, poesia portuguesa e MPB, além de rodas de fado e choro. A temporada carioca trará, ainda, a primeira edição brasileira do Chefs on Fire, um sucesso em Portugal, que terá uma versão pocket. Nesse primeiro programa brasileiro de “cozinhar no fogo”, estarão presentes chefs de restaurantes premiados em Portugal: Ana Moura, do Lamelas, André Cruz, do Feitoria, Nelson Soares, do Sult, e Gil Fernandes, do Fortaleza do Guincho. O Vinhos de Portugal 2026 é uma realização dos jornais O Globo, Valor Econômico e Público, em parceria com a ViniPortugal, com a participação do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto; apoio do Turismo de Portugal, das Comissões do Vinhos de Lisboa, Dão, Alentejo, Vinhos Verdes, Agências Regionais de Promoção Turística Centro de Portugal, do Porto e Norte e do Alentejo– Cofinanciados pela União Europeia através do Programa COMPETE 2030, Quinta do Paral, queijos Président e Granfino, água oficial Águas Prata, cia. aérea oficial TAP Air Portugal, local oficial Shopping JK Iguatemi (SP), Jockey Club Brasileiro (RJ) , loja oficial Woods Wine, assessoria de imprensa InPress Porter Novelli, promoção Clube O Globo, rádio oficial CBN e curadoria Out of Paper.