Após reportar 18 mortes entre detidos nos primeiros cinco meses de 2026, ICE sofre pressão para melhorar atendimento médico em suas instalações Protesto contra a violência do ICE em Minneapolis, nos Estados Unidos. — Foto: Pierre Lavie/ Reprodução do Instagram: @just1dudewithacamera RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 05/06/2026 - 12:31 ICE dos EUA deixa de relatar mortes após liberação de detentos A agência de imigração dos EUA, ICE, decidiu não mais divulgar mortes de detentos libertados recentemente. A mudança ocorre após 18 mortes serem registradas nos primeiros cinco meses de 2026, pressionando por melhor atendimento médico. A política de relatar mortes até 30 dias após a liberação foi adotada em 2021 para responsabilização, mas agora será revertida, restringindo-se a reportar óbitos apenas durante a custódia. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde que Donald Trump retomou o comando da Casa Branca no início do ano passado e deu início à sua política de deportações em massa, pelo menos 48 mortes sob custódia federal de imigração foram registradas, segundo relatórios de óbitos e comunicados do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE). Desse total, 18 foram reportadas somente nos primeiros cinco meses de 2026. Com o aumento dessa taxa, o órgão está restringindo o escopo das mortes que será obrigado a relatar. Em um memorando enviado aos funcionários da agência na quinta-feira e analisado pelo Washington Post (WP), o diretor interino, David Venturella, afirmou que o ICE está eliminando a exigência de relatar mortes que ocorram dentro de 30 dias após a liberação de pessoas sob sua custódia. “O ICE está retornando à prática padrão de relatar mortes que ocorrem enquanto o indivíduo está sob custódia da agência”, escreveu Venturella no memorando. A exigência dos 30 dias foi adotada em 2021, quando o governo do ex-presidente americano Joe Biden buscou responsabilizar o ICE por casos em que pessoas detidas sob custódia da agência e posteriormente liberadas com problemas médicos graves, disse Deborah Fleischaker, chefe de gabinete interina na época, ao Washington Post. No início daquele ano, um homem que contraiu o coronavírus enquanto estava no centro de detenção de Adelanto, na Califórnia, morreu três dias após ser liberado pelo ICE. “O ICE está retornando à prática padrão de relatar mortes que ocorrem enquanto o indivíduo está sob custódia da agência”, escreveu Venturella no memorando revelado pelo WP. “A política foi alterada para deixar claro que o ICE não deve libertar pessoas simplesmente para evitar mortes sob custódia”, afirmou Fleischaker. Embora todas as mortes relatadas publicamente em 2025 e 2026 tenham ocorrido enquanto as pessoas ainda estavam sob custódia do ICE, muitas aconteceram depois que os detidos foram levados ao hospital, de acordo com os relatórios da própria agência. Em um e-mail enviado ao Washington Post, um porta-voz do Departamento de Segurança Interna (DHS), órgão ao qual o ICE está subordinado, confirmou a mudança na política, afirmando que é “senso comum” que o ICE não deva ser responsável por monitorar ou revisar “quando um indivíduo falece semanas após deixar sua custódia”. O porta-voz acrescentou que o ICE “continua comprometido com a transparência em relação às mortes de detentos”. Segundo ele, a atualização da política "descreve os procedimentos para notificação, revisão e relato oportunos de mortes ocorridas sob custódia do ICE, incluindo a notificação de familiares, consulados, Congresso e público". O Congresso exige que o ICE relate as mortes de detidos ao governo federal desde 2014 e que divulgue publicamente todas as mortes desde 2018. As regras visam garantir que o governo investigue e resolva possíveis problemas que possam ter levado a essas mortes. O Departamento de Segurança Interna sustenta que os detidos recebem atendimento adequado. Em comunicado enviado em abril ao New York Times, a porta-voz Lauren Bis afirmou que o ICE mantém “padrões de detenção mais rigorosos do que a maioria das prisões americanas”. Ainda assim, o sistema prisional dos EUA há anos enfrenta críticas por falhas no atendimento médico. Grande parte das unidades de detenção do ICE é administrada por empresas privadas, como a CoreCivic e o GEO Group, que também operam presídios. Essas companhias afirmam oferecer atendimento médico 24 horas por dia, alimentação adequada e atuar sob supervisão governamental. A exigência de 30 dias levou a diversas investigações governamentais sobre as mortes de ex-detidos que faleceram logo após serem libertados, afirmou ao WP Laboni Hoq, advogada de direitos civis de Los Angeles que reuniu provas para essas investigações por meio de pedidos de acesso a registros públicos. “A revogação dessa política é devastadora, principalmente em termos de garantir que os padrões adequados sejam cumpridos nos centros de detenção”, disse Hoq, que representa a família de Martin Vargas Arellano, o detento de Adelanto que morreu após ser libertado da custódia do ICE em 2021. Vargas Arellano já estava internado em estado vegetativo e em coma havia uma semana quando o ICE o liberou, de acordo com o processo movido pela família contra o ICE e o Geo Group, empresa que administra Adelanto. Como ele não era mais um detento do ICE, a agência não comunicou sua morte ao Congresso, segundo o processo, que foi resolvido pelo ICE e continua sendo contestado pelo Geo Group. Um porta-voz do Geo Group não respondeu imediatamente a um pedido de comentário do Washington Post. (Com New York Times)