Em Dezembro, menos de um dia passou sobre a votação em que o conselho de administração do Kennedy Center decidiu alterar-lhe o nome, até que se lesse o novo baptismo na fachada da instituição de Washington: The Trump Kennedy Center. Agora, a mudança não foi tão célere, mas está a caminho. Na sequência de uma deliberação judicial que considerou “ilegal” a alteração, o gabinete jurídico instruiu esta quinta-feira os trabalhadores do centro a removerem “imediatamente” o nome de Trump de documentos e redes sociais, bem como da sinalética no exterior e interior do edifício, neste caso até 12 de Junho, data limite imposta pelo juiz que determinou a ilegalidade da mudança votada em Dezembro.“Estamos a cumprir a decisão do tribunal, ao mesmo tempo que avaliamos todas as opções legais para preservar este projecto de revitalização e reconhecer a liderança do Presidente Trump”, declarou Roma Daravi, porta-voz do Kennedy Center, num comunicado citado pelo New York Times. Apesar de ser actualmente formado por fiéis apoiantes de Presidente americano, o conselho de administração não segue o tom desafiante de Trump que, logo após ser conhecida, dia 29 de Maio, a decisão do juiz Christopher R. Cooper, do Tribunal Distrital Federal de Washington, ameaçou abandonar a presidência da instituição.Acusando o juiz e a “esquerda radical”, entidade abstracta sempre nomeada quando confrontado com decisões que lhe são desfavoráveis, de preferirem ver o centro “MORRER” (sic) a deixarem-no “transformá-lo em algo de que todos se possam orgulhar”, Donald Trump escreveu nas suas redes sociais: “A menos que tenha liberdade para fazer aquilo que faço melhor do que ninguém, recuperar esta instituição a nível físico, financeiro e artístico, não tenho qualquer interesse em continuar o que não passaria de uma viagem irremediável para a 'Terra do Nunca'".Desde que tomou pessoalmente conta do Kennedy Center, a instituição sofreu uma queda acentuada na venda de bilhetes, consequência de um aparente boicote do público devido à politização de um espaço historicamente apartidário, e foi vendo vários artistas e organismos artísticos afastarem-se ou cancelarem apresentações. É o caso da Ópera Nacional de Washington, que se desvinculou daquela que foi a sua casa durante 47 anos, de Philip Glass, que cancelou a estreia mundial da sinfonia Lincoln, ou dos produtores do musical Hamilton, da Martha Graham Dance Company ou do baterista jazz Chuck Redd, que cancelaram espectáculos programados. Três membros da junta consultiva do Kennedy Center, a cantora Renée Fleming, o músico Ben Folds e a produtora Shonda Rhimes, afastaram-se dos seus cargos em protesto contra a direcção seguida após a entrada de Trump e seus apoiantes na gestão do centro.Foi deste contexto, de resto, que no início de Fevereiro Trump anunciou que o Kennedy Center seria encerrado em Julho para obras de remodelação que se prolongariam por dois anos. "Determinei que a forma mais rápida de elevar o Trump Kennedy Center ao mais alto nível de sucesso, beleza e grandiosidade”, escreveu então na sua rede social, a Truth Social, “é cessar as operações de entretenimento durante um período de aproximadamente dois anos, com uma grande reabertura programada que rivalizará e ultrapassará tudo o que já aconteceu antes em relação a este tipo de instalações".Ora, a determinação judicial assinada pelo juiz Cooper abrange também o anunciado encerramento para renovações, já alvo de contestação em tribunal por associações de defesa do património. Ainda que reconheça que o edifício se encontra “extremamente” necessitado de obras, o juiz defende não ter havido uma verdadeira e informada reflexão sobre as consequências do encerramento numa instituição daquela importância e dimensão. Determinou, assim sendo, que o encerramento só será possível após os membros do conselho directivo “terem ponderado de forma independente e prudente as suas múltiplas obrigações para com o Centro”.No memorando distribuído aos trabalhadores em que era ordenado que fosse seguida a decisão do tribunal, era referido que, quanto ao encerramento, não foi ainda tomada uma decisão final.A acção judicial que determinou a ilegalidade da mudança de nome do Kennedy Center foi interposta por Joyce Beatty, deputada Democrata pelo Ohio e, no passado, membro do seu conselho de administração. Nela, alegava não estar no poder do conselho de administração alterar unilateralmente o nome de uma instituição baptizada pelo Congresso norte-americano.