Amanda, que em BH era chamada de "Karol", foi apadrinhada, com outras crianças, pela assistente social e levada pra dela para passar as festas de fim de ano. A mulher ficou por lá por quase uma semana quando foi informada de que teria que voltar pro abrigo antes das festas. Delma precisou fazer uma viagem de emergência. O irmão adoeceu em Vitória (ES). Com isso, Amanda teria que voltar para a instituição. Foi neste momento que ela teve uma reação violenta e começou a quebrar diversos objetos. Além disso deu socos e chutes que danificaram o portão de ferro da casa. "Quando contei que ela teria que retornar para o abrigo, foi uma reação completamente fora do comum. Ela começou a quebrar objetos e a dar socos e chutes no portão da minha casa. Eu tinha certeza de que ela era maior. Só não tinha como provar. Ela tinha uma aparência infantil e conseguia reproduzir muitos comportamentos de uma criança. Mas naquele momento eu percebi características que não batiam com a idade que ela dizia ter", relembrou Delma. A assistente social afirma que o comportamento chamou a atenção pela força física demonstrada e pela mudança repentina de postura que não eram compatíveis com uma pessoa de 12 anos. Delma conta que compartilhou suas desconfianças com integrantes da rede de proteção à criança e ao adolescente, mas não acreditavam no que a assistente social dizia. "Quando eu dizia que ela era maior de idade, as pessoas achavam que eu estava equivocada. Eu não tinha provas, apenas a convicção construída pela convivência com ela", afirmou. LEIA TAMBÉM A assistente social Delma Soares conviveu com Amanda, em 2017, no abrigo onde é diretora, em Belo Horizonte. — Foto: TV Globo A convivência com Amanda no abrigo de BH Em Belo Horizonte, Amanda chegou a casa de acolhimento, onde Delma é diretora, em 2017. Ela usou o apelido de "Karol". A assistente social tinha uma boa relação com Amanda e ganhava dela cartas, desenhos e bilhetes que reforçavam a imagem de uma adolescente em situação de vulnerabilidade. Segundo Delma Soares, Amanda chegou ao local com ferimentos provocados por agulhas e pedaços de arame. Ela foi atendida no Hospital Odilon Behrens, onde exames de raio-X identificaram objetos espalhados pelo corpo. Cartinhas escritas por Amanda para a assistente social Delma, assinadas como "Karol". — Foto: TV Globo Relembre o caso Mulher de 37 anos finge ter 12 e é presa por estelionato 1 ano após ser adotada em SC Além da capital mineira, há registros da passagem dela por Montes Claros, Três Corações e Bom Despacho. Em Três Corações, no Sul de Minas, ela utilizou a identidade de "Ana Clara Santos Xavier" e afirmou ter 13 anos. Também disse ser natural de Fortaleza e vítima de abusos sexuais. Conselheiras tutelares identificaram relatos semelhantes registrados anteriormente em outros estados. Já em Bom Despacho, no Centro-Oeste mineiro, funcionários de um abrigo acionaram a polícia após suspeitarem da versão apresentada por Amanda. Na delegacia, ela revelou o nome verdadeiro, mas se recusou a informar a idade. De acordo com a Polícia Civil de Santa Catarina, Amanda também possui registros de passagens por Goiás, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. O que diz a defesa de Amanda A defesa de Amanda Maria Souza de Oliveira informou que identificou elementos que justificam a realização de exame de sanidade mental e aguarda os resultados das perícias para definir quais medidas processuais poderão ser adotadas. Vídeos mais vistos no g1 Minas Gerais