Há registros da passagem de Amanda Maria Souza de Oliveira nos estados do Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Rio de Janeiro Fotografias de Amanda anexadas ao processo no Rio — Foto: Reprodução/Portal de Segurança do Rio de Janeiro RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/06/2026 - 21:33 Mulher de 38 anos é presa por fingir ser adolescente para adoção em SC Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, foi presa em Santa Catarina por fingir ser adolescente para ser adotada por famílias. Ela aplicava golpes semelhantes desde 2010, passando por diversos estados brasileiros. Amanda usava histórias de abuso e exploração para enganar seus alvos. Presa, confessou a fraude e firmou um acordo de não persecução penal, comprometendo-se a confessar os crimes e prestar serviços comunitários. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A mulher de 38 anos presa em Santa Cataria nesta terça-feira acusada de fingir ser adolescente para ser adotada por uma família já vinha praticando o mesmo golpe há pelo menos 15 anos. Há registros de Amanda Maria Souza de Oliveira tentar pôr em prática a farsa em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Ceará, Goiás, Rio Grande do Norte, São Paulo e Rio de Janeiro. O primeiro deles data de 2010, quando foi internada no Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes, em Natal, para retirar nove agulhas do corpo. Na ocasião, quando tinha 22 anos, ela alegou ter 13 para a polícia. À época, Amanda contou que morava com os pais em Fortaleza, mas fugiu para Natal devido às agressões físicas e sexuais sofridas em possíveis rituais de magia negra. A história é praticamente igual a que ela relatou nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, em dois outros episódios em que foi detida por suspeita de falsidade ideológica. A própria falsa adolescente relatou em depoimentos para a polícia ter passado ainda pelos estados da Bahia e Espírito Santo. O registro em São Paulo é 2022, da cidade de Jundiaí. Lá, ela afirmou se chamar Ana Clara e ter 12 anos, ao dar entrada no Hospital Universitário. Ela foi logo em seguida transferida para o CAPS Infatojuvenil e a Polícia Civil foi chamada para tentar identificá-la, já que não contavam registros com os dados fornecidos. Foram os investigadores que localizaram o caso de Natal e que, pela similaridade das histórias, decidiram entrar em contato com os responsáveis pelo atendimento na época, que confirmaram se tratar da mesma pessoa. Após mais uma vez contar a história de que era vítima de "rituais satânicos" promovidos por seus pais, Amanda foi levada para fazer exames, que de identificaram agulhas e diversas partes de seu corpo, novamente retiradas. Aos policias, após confessar ter fingido ser uma adolescente, Amanda afirmou que ela mesmo que colocava os objetos em seu corpo e que resolveu "sair pelo mundo" contando as mentiras porque percebeu que as pessoas se comoviam e a ajudavam. No Rio de Janeiro, Amanda foi presa em flagrante, em 2023, na cidade de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Lá ela convenceu moradoras da cidade de que era uma menina de 12 anos que fugia de uma rede de exploração sexual supostamente liderada pelo próprio pai, que seria conhecido no Nordeste como "Bruxo Chik Jeitoso". Na época, afirmou se chamar Maria Eduarda da Silva Ferreira, ter 12 anos e ter escapado de um esquema de prostituição no Nordeste. A mulher foi acolhida por duas mulheres, identificadas como Viviane e Renata, após conhecer uma delas pela internet, através do Facebook. Ela mais uma vez se dizia vítima de exploração sexual e afirmava que seu pai teria realizado diversos rituais de magia negra em seu corpo. Segundo o depoimento, Viviane conseguiu um imóvel para que a suposta adolescente morasse no bairro Carlos Sampaio, em Nova Iguaçu. Renata afirmou que dividiu o aluguel da residência, comprou roupas, alimentos e ajudou a montar a casa. Lá também a falsa adolescente fez relatos de que expelia agulhas pelo corpo. De acordo com Viviane, ela passou por exames e radiografias que teriam identificado a presença dos objetos, posteriormente retirados. O caso chegou à Polícia Civil em 28 de junho de 2023, quando agentes foram acionados para apurar a situação de uma suposta criança vítima de exploração sexual e cárcere privado em um imóvel localizado na Rua Aurora Monsanto, em Austin, distrito de Nova Iguaçu. Policiais civis que participaram da ocorrência relataram que a jovem foi conduzida à delegacia para prestar esclarecimentos. Durante as verificações de rotina, no entanto, os investigadores concluíram que a suposta Maria Eduarda era, na realidade, Amanda Maria Souza de Oliveira, que, na época, tinha 35 anos. Após a descoberta da verdadeira identidade, Amanda foi presa em flagrante. Durante o interrogatório, exerceu o direito constitucional de permanecer em silêncio e informou que se manifestaria apenas em juízo. Ela foi denunciada pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro pelos crimes de estelionato, por duas vezes, falsidade ideológica e comunicação falsa de crime. Em decisão de junho de 2024, a Justiça recebeu a denúncia e apontou a existência de indícios de autoria e materialidade para a abertura da ação penal. Ao analisar o caso, a magistrada também registrou que havia informações sobre possíveis práticas semelhantes em diferentes estados do país. A decisão cita referências a ocorrências e antecedentes relacionados à acusada em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará. No dia 31 de julho de 2023, Amanda firmou com o Ministério Público do Rio de Janeiro um acordo de não persecução penal, comprometendo-se a: confessar os crimes, prestar serviços à comunidade por oito meses, manter endereço e número de telefone atualizados diante do Juízo e não cometer nova prática criminosa. Golpe em SC Amanda foi presa novamente na última terça-feira, no estado de Santa Catarina, após se passar por uma adolescente de 12 anos conseguiu ser acolhida por uma família durante 14 meses ao construir uma história marcada por supostos abusos, maus-tratos e abandono. Segundo a Polícia Civil, ela conquistou gradualmente a confiança dos moradores e de integrantes de uma igreja até ser informalmente "adotada" pela família, que acreditava estar ajudando uma criança em situação de vulnerabilidade. De acordo com a polícia, ela se apresentava como "Gabriele" e afirmava ter 12 anos. Durante depoimento, confessou a fraude. Durante os 14 meses em que permaneceu com a família, a suspeita teria adotado comportamentos para sustentar a versão de que era uma criança. Segundo os investigadores, ela utilizava chupeta, mamadeira e agia como adolescente. Também simulava crises de medo durante a noite para que a mãe adotiva a colocasse para dormir. Familiares relataram à polícia que tentaram iniciar procedimentos para adoção e buscaram matriculá-la em uma escola. Sempre que esses processos avançavam, porém, ela recorria a chantagens emocionais para impedir a formalização. A mulher alegava que uma adoção oficial poderia revelar seu paradeiro ao suposto pai biológico e colocá-la novamente em risco. Ao GLOBO, o delegado Rodrigo Bueno Gusso afirmou que a suspeita tinha explicações para justificar o fato de aparentar idade superior à declarada. — Ela veio com uma história triste, disse que ela foi obrigada na infância a viver em uma casa de prostituição e que nesse local era obrigada a tomar hormônios para desenvolver um porte físico maior e, em razão desses supostos hormônios, ela aparentava ter uma fisionomia mais velha — explica. O caso começou a ser esclarecido após uma tia da família acolhedora procurar a polícia. Segundo a investigação, ela e o pai adotivo realizaram buscas na internet e encontraram informações indicando que a mulher já havia aplicado golpes semelhantes. A Polícia Civil identificou a verdadeira identidade da suspeita e localizou registros de ocorrências parecidas em diferentes estados. Os investigadores encontraram referências a episódios em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Ceará. Segundo o delegado, a repetição do método chamou a atenção da equipe, com "o mesmo modus operandi, a única coisa que mudava era o primeiro nome".
Falsa adolescente de 38 anos presa em Santa Catarina aplicava golpes desde 2010
Há registros da passagem de Amanda Maria Souza de Oliveira nos estados do Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Ceará, Rio Grande do Norte, São Paulo e Rio de Janeiro











