Entre uma aplicação que reúne as festas dos Santos Populares num só mapa e um famoso ficheiro Excel que organiza os arraiais da Grande Lisboa, os jovens portugueses estão a criar ferramentas para tornar mais fácil encontrar concertos, horários e locais de festa. O objectivo é simples: ajudar quem não quer perder o melhor dos arraiais.Uma app para os arraiaisA aplicação “Festas Populares” mostra os dias, os locais, os horários e os artistas que vão actuar nos arraiais dos santos populares, de norte a sul do país. Stéphane Duarte, engenheiro de software, quis reunir numa única plataforma esta informação que “está muito dispersa” e ainda depende muito do “passa-palavra”.Segundo o lisboeta, a aplicação destina-se a “qualquer pessoa em Portugal que goste de uma boa festa e de um bom arraial, não só em Lisboa, mas pelo país inteiro”. “Achei que a melhor forma de o fazer é no dispositivo que todos temos connosco, sempre, a qualquer altura, mesmo quando estamos nos arraiais, que é o telemóvel”, explica.A app permite ao utilizador descobrir qual é o arraial mais próximo de si no próprio dia, bem como o artista que vai actuar e em que horário. Para consultar o mesmo para outros dias, navega-se por um calendário e selecciona-se o dia pretendido, sendo possível usar o filtro de distância para encontrar arraiais mais longe ou mais perto.A recolha e actualização dos eventos é feita pelo jovem de 29 anos, que vai encontrando a informação em sites de municípios, nas redes sociais ou “espalhada pela internet”. Apesar disso, “qualquer pessoa de qualquer parte do país consegue fazer upload dos eventos, que, depois de aprovados, entram na plataforma”.É também possível interagir com um mapa de Portugal com pins que sinalizam a localização das várias festas e guardar cada evento na aba de “Favoritos”. O criador admite que tem recebido muitas sugestões de funcionalidades “que ainda têm de ser desenvolvidas”, como a possibilidade de classificar se um espaço está lotado ou se é agradável, incluir informações sobre os preços da comida e da bebida, e, em eventos pagos, o preço de entrada e onde adquirir os bilhetes.A app foi lançada em Junho do ano passado, inicialmente pensada para os Santos Populares de Lisboa. Desde então, após uma adesão inicial “completamente inesperada” de 10 mil utilizadores, passou a incluir eventos noutros locais e passou a estar operacional em dispositivos Android, além de iOS.Em apenas um ano, o número de utilizadores mais do que duplicou: em Maio de 2026, registaram-se cerca de 24 mil. A próxima meta é chegar aos 50 mil utilizadores activos durante o mês de Junho e que essa adesão se mantenha durante o Verão, “que é o período forte das festas em Portugal”.A lenda urbana do "Excel dos Santos"O “Excel dos Santos”, assim conhecido na internet, é um documento que reúne todas as datas, locais e concertos das festas populares em Lisboa, Tires e Oeiras, sinalizando ainda as programações que já estão completas e aquelas que ainda estão em falta.Bruno Braga, de 25 anos, começou a ouvir falar do “mito urbano” do “Excel dos Santos” há pelo menos três anos. Curioso sobre o documento misterioso, publicou um vídeo no Tiktok, em Maio do ano passado, apenas para perceber que ninguém sabia do que se tratava. Com o mês de Junho a aproximar-se, decidiu arregaçar as mangas e torná-lo realidade.Começou a pesquisa nas redes sociais e em sites de notícias e acabou por criar uma conta no Instagram para seguir as câmaras municipais e acompanhar a programação festiva. Este ano, teve ajuda do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, que fez “a ponte” com as juntas de freguesia para obter informação sobre as várias festas.Após conhecer o mapa de festividades, há uma que é imperdível​ para Bruno Braga: apesar de gostar “muito” dos cantores Pimba, “arraial será sempre Alfama”. “Acho as pessoas muito mais alegres. (...) Se eu estiver incomodado, vou duas ruas abaixo e já estou numa rua vazia e depois se quiser voltar para a confusão volto a subir, mas já não estou no mesmo bairro. Alfama tem tanta ruelazinha, tanta escadaria, que dá para ter música diferente em todo o canto e é uma coisa de que eu gosto muito”, diz.Segundo o jovem, o plano é continuar a fazer o documento anualmente e, talvez no futuro, elaborar um site “mais prático, mais pomposo” com links das localizações e informações mais detalhadas.Texto editado por Patrícia Jesus