Executivos da Lego tentaram corajosamente apresentar seus produtos mais recentes na última terça-feira (2) em meio a uma algazarra de piados, coaxos e roncos. A mais nova linha da gigante dos brinquedos faz parte de uma colaboração com Pokémon, a marca japonesa que evoluiu de videogame para fenômeno multimídia. Chips embutidos permitem que as criaturas treinem, batalhem e conversem ruidosamente quando colocadas perto umas das outras.

Pokémon é a mais recente de uma crescente lista de parcerias da Lego com marcas de mídia. Desde o sucesso de um conjunto de Star Wars em 1999, a empresa dinamarquesa tem buscado licenças em todos os lugares, de jogos (Nintendo) e Hollywood (Harry Potter) a esportes (Fórmula 1). Piratas e astronautas genéricos estão sendo cada vez mais espremidos para fora das prateleiras das lojas por personagens como Super Mario. Brinquedos baseados em propriedade intelectual licenciada representam mais da metade da receita anual de US$ 13 bilhões (R$ 65,5 bilhões) da Lego, estima a Circana, uma empresa de pesquisa.

A fabricante de blocos não é o único exemplo. O Monopoly da Hasbro tem versões que licenciam de tudo, de James Bond a Barbie. A Funko, que fabrica os bonecos Pop! extremamente populares, oferece réplicas baseadas em atletas, atores e muito mais. Seu slogan, "Todo mundo é fã de alguma coisa", resume a ideia. A participação das vendas globais de brinquedos baseados em propriedade intelectual licenciada subiu de 25% para 37% nos últimos sete anos, diz Frédérique Tutt, da Circana.