Dentro da imprevisibilidade que ao longo da quinzena foi crescendo ao redor do Torneio de Roland-Garros, houve um nome cuja presença na final de sábado não surpreende tanto. Mirra Andreeva foi a primeira a qualificar-se para o derradeiro encontro da prova e, apesar dos 19 anos, já tinha dado sinais de poder ir mais longe: foi semifinalista aqui em 2024 – perdeu então com Jasmine Paolini, depois de ter eliminado Aryna Sabalenka – e também quarto-finalista no ano passado em Wimbledon e oitava-finalista na Austrália nas últimas três edições e integra o top 10 mundial desde Fevereiro de 2025.À qualidade já demonstrada em variadas ocasiões, Andreeva juntou-lhe maturidade e o resultado é a estreia em finais do Grand Slam. “Antes pensava: ‘meu Deus, se eu perder o serviço é o fim do mundo’, e todos os meus pensamentos eram sobre isso. Mas agora sinto que, se ela me ‘breakar’, vou tentar quebrar o serviço dela de volta. Sinto que até agora tem funcionado muito bem”, disse Andreeva (8.ª), depois de vencer Marta Kostyuk (15.ª), por 6-1, 6-3.Outra confissão da adolescente russa sobre os seus progressos foi sobre a sua equipa técnica, liderada pela campeã de Wimbledon de 1994 e finalista aqui em 2000, Conchita Martínez. “Eu antes ouvia, mas ao mesmo tempo, continuava a fazer o mesmo e, então, talvez fosse por isso que também não estava a funcionar sempre. Ultimamente, sinto que consigo confiar plenamente neles e não duvidar de nada”, frisou a quarta mais jovem finalista de Roland-Garros dos últimos 30 anos – só superada por Martina Hingis, Kim Clijsters e Coco Gauff.Andreeva esteve mais consistente a servir, cedeu apenas um break, ganhou 66 % dos pontos disputados com o segundo serviço adversário e esteve igualmente resiliente no jogo defensivo para terminar com a série de 17 vitórias consecutivas de Kostyuk.Se a presença da Andreeva numa final do Grand Slam era uma questão de tempo, completamente imprevisível foi o percurso de Maja Chwalinska, a primeira tenista vinda do qualifying a chegar ao último dia de competição em Paris.A 19 de Abril, a polaca de 24 anos estava no Jamor a celebrar o terceiro título da categoria WTA 125, o que lhe valeu a subida ao top 120. Com a vitória sobre Diana Shnaider (23.ª), por 7-6 (7/4), 6-4, é agora a terceira tenista a estrear-se em finais no circuito principal num torneio do Grand Slam – imitando Venus Williams (US Open de 1997) e Emma Raducanu (US Open de 2021). Raducanu foi a única outra jogadora na Era Open a chegar a uma final de um major depois de passar pelo qualifying. Chwalinska é também a terceira tenista a chegar à final de Roland-Garros na primeira participação no quadro principal, tal como Evonne Goolagong (1971) e Chris Evert (1973). “Parece um sonho, sinceramente, não sei o que está a acontecer”, disse ainda no court.Na meia-final entre duas esquerdinas, Chwalinska fez mais uma demonstração do seu ténis muito variado, com bolas profundas com muito efeito, amorties, vóleis…, mas sempre com propósito bem definido. A qualidade evidenciada valeu-lhe um enorme apoio do público francês, que a ajudou a recuperar de 2/4 no tie-break e voltar a jogar com enorme confiança.Chwalinska começou o torneio há três semanas, mas, apesar do desgaste, não tem razões de queixa: nove vitórias, as últimas quatro frente a adversárias do top 50, apenas um set cedido, e a subida garantida (pelo menos) ao 21.º lugar do ranking – e 1,4 milhões de euros, o dobro do que já auferiu em toda a carreira.“Não estou óptima, não vou mentir. É um grande desafio jogar contra as melhores jogadoras do mundo todos os dias, mas é um Grand Slam, então temos que dar tudo de nós e mais um pouco. Mas não estou a reclamar de todo”, concluiu.Nesta sexta-feira, realizam-se as meias-finais masculinas (13h30), com Alexander Zverev (3.º) frente a Jakub Mensik (27.º) e, não antes das 18 horas, o duelo italiano entre Flavio Cobolli (14.º) e Matteo Arnaldi (104.º).