Oficialmente, Estados Unidos e Irã têm um acordo de cessar-fogo. Na teoria, a guerra está resolvida. Os iranianos não podem espalhar minas explosivas pelo Estreito de Ormuz. Também estão proibidos de atacar embarcações civis com mísseis, lanchas e drones. A julgar pelo que o presidente norte-americano, Donald Trump, diz, a situação está congelada e sob controle, com suas forças impondo um cerco naval efetivo contra os iranianos.

Na prática, entretanto, a realidade é outra. Passados mais de três meses do início da guerra, o Irã ainda determina quem pode ou não transitar pelo estreito por onde, antes, era escoado 25% do petróleo mundial e 20% do gás natural, além de fertilizantes e outras commodities fundamentais para o comércio mundial. O país não apenas exerce controle por meio de amea­ças, mas filma e publica na mídia estatal operações nas quais drones e lanchas rápidas interceptam e atacam embarcações, inclusive com disparos de foguetes e mísseis. Essa situação de impasse prolongado fez o preço do barril do petróleo voltar a subir e chegar a 96 dólares.

Nada no cenário atual comprova a tese difundida por Trump de que os Estados Unidos estejam vencendo a guerra que iniciaram de maneira unilateral e ilegal, no Oriente Médio, em 28 de fevereiro. Por mais que o presidente norte-americano vá às redes sociais proclamar seu triunfo ou que seu secretário de Estado, Marco­ ­Rubio, faça o mesmo nas audiências às quais tem sido convocado a comparecer no Senado, a verdade é que o regime iraniano não caiu e, mais importante, o programa nuclear, a própria razão alegada para iniciar o conflito, permanece imutável.