A Justiça dos Estados Unidos marcou uma audiência para 7 de julho para avaliar um pedido da EFB Regimes Especiais de Empresas, liquidante do banco Master, contra a família de Daniel Vorcaro, dono da instituição financeira. A EFB quer mais tempo para notificar empresas envolvidas no suposto esquema da família para ocultar patrimônio nos EUA. A audiência será realizada às 10h (horário local), pelo juiz Scott M. Grossman, da Corte de Falências do Distrito Sul da Flórida. A deliberação é parte do processo da EFB contra a Sozo Inc, que segundo o liquidante do Master é uma empresa usada pelo pai e a irmã de Daniel Vorcaro, Henrique e Natália, para tentar ocultar patrimônio nos EUA. A EFB afirma que Vorcaro, parentes e ex-funcionários do Master “se envolveram em uma série de esquemas fraudulentos para apropriação indébita de bilhões de reais (pelo menos US$ 1 bilhão) dos devedores [as empresas que fazem parte da liquidação extrajudicial]”. No processo, Henrique diz que nunca negociou nenhum contrato na Flórida, nem pessoalmente nem por terceiros. Alega ainda que seus contatos com os EUA foram feitos somente por meio do seu papel como diretor da Sozo. Entretanto, a EFB apresenta três provas contrárias a essa alegação. A primeira delas é o extrato de uma transferência de US$ 400 mil feita por ele entre uma conta que ele tinha no J.P. Morgan e outra no próprio Master, em março de 2023. A segunda prova é um contrato assinado por Henrique com a Southern Cross Aircraft para a compra de um jatinho Falcon 2000LX, da Dassault, por US$ 12 milhões, em junho de 2021. E a terceira prova é um contrato entre Henrique e o filho, no qual ambos afirmam que Daniel tem direito a 50% de uma série de ativos detidos pelo pai. Para isso, bastava que Daniel pagasse um valor simbólico de R$ 1. “Deste modo, tão logo solicitado por Daniel, Henrique se compromete a transferir companhias, SPEs, propriedades de imóveis diretamente a Daniel, pelo valor de R$ 1,00 (hum real) cada. Fica concedida a Daniel opção irrevogável e irretratável de compra pelo valor de R$ 1,00 (hum real) de todo o Patrimonio Imobiliário”, diz o contrato, assinado em março de 2021. O contrato lista 16 ativos que fazem parte do acordo e que somam R$ 132,5 milhões. Além disso, diz que Daniel tem uma opção de compra da gestora Iron Capital e que, se a exercesse, ele ficaria com 60% da companhia e Henrique com os outros 40%. Não é possível inferir se algum desses ativos tem ligação com os EUA, para ter sido listado como prova pela EFB. Entre os ativos listados, está um andar no edifício Concórdia, em Nova Lima (MG), avaliado em R$ 17 milhões; uma fatia de 40% na 4C Empreendimentos, dona de uma terreno que pertencia à Universidade Fumec, em Belo Horizonte (MG), avaliada em R$ 10 milhões; além de uma série de acordos judiciais (com LMN Empreendimentos, Estacionamento Santa Bárbara, Odebrecht e Branelli). Procuradas, as defesas de Daniel, Henrique e Natália Vorcaro ainda não se manifestaram. O liquidante do Master está à procura de diversos ativos de Daniel Vorcaro nos EUA. A EFB protocolou em janeiro na Justiça americana 22 intimações para bancos, galerias de arte, lojas de luxo e empresas imobiliárias com o objetivo de localizar bens do banqueiro. Ainda de acordo com o liquidante, Henrique e Natália teriam usado parte do dinheiro desviado do Master para comprar uma mansão na cidade de Windermere, que fica na região de Orlando, usando a Sozo Inc, por US$ 32 milhões. A casa fica na rua Blanche Cove, nº 9538. Enquanto isso, a Justiça brasileira também tomou diversas decisões para dificultar a venda de bens de luxo ligados ao ex-banqueiro. Já foram protestados imóveis da Viking Participações, incluindo uma cobertura na avenida Horácio Lafer e um apartamento no condomínio Üpper Itaim, na zona sul da capital paulista. A decisão também alcança três aeronaves: modelos Dassault Falcon 7X, Falcon 2000 e Gulfstream GV-SP.