Em junho passado, Qutaibah Odeh, 32, assistiu à demolição da casa de seu irmão em Jerusalém Oriental. A prefeitura mais tarde lhe passou a conta. Cobraram, diz, o equivalente a cerca de R$ 80 mil pelos tratores e pelos funcionários que destruíram um dos lares da família, residentes do local há gerações.

Em julho deste ano, a Justiça decide se derruba também a casa de Odeh. Ele terá, então, de pagar a taxa, como o irmão. A não ser que opte por abrir mão dos serviços da prefeitura e destrua a construção ele mesmo.

Nos últimos meses, outras famílias passaram por esse dilema. Os casos aumentaram desde o início da guerra contra o grupo terrorista Hamas, em outubro de 2023. "Todo o foco está em Gaza e no Irã. Ninguém presta atenção, e eles fazem o que querem", diz Odeh, que lidera uma associação de moradores contra as demolições.

"Como querem que a gente se sinta?", questiona. "Não são só pedras. Temos memória, sonhos. Nosso passado está aqui."

A situação afeta, em especial, os bairros palestinos próximos à Cidade Antiga de Jerusalém, como al-Bustan, onde vive a família Odeh. Segundo os relatos da imprensa, Israel demoliu quase 60 casas ali nos últimos dois anos. O plano é construir um parque temático bíblico no local.