Ataque obrigou os trabalhadores a abandonarem o caixão, permitindo que moradores da comunidade manuseassem o corpo da vítima e ampliando o risco de transmissão do vírus Enterro de vítima do Ebola na RDC. — Foto: Glody MURHABAZI / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 04/06/2026 - 08:13 Ataque e fuga de pacientes complicam surto de Ebola no Congo Um ataque a uma equipe funerária e a fuga de 11 pacientes de isolamento agravaram o surto de Ebola na República Democrática do Congo, ampliando o risco de transmissão. O incidente ocorreu em meio a desafios de segurança e resistência comunitária, dificultando o controle da doença. Com 363 infecções confirmadas e 62 mortes, a OMS destaca que liderança e confiança são essenciais para conter o surto. A vigilância permanece insuficiente, com apenas 46% dos contatos monitorados. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Uma equipe funerária foi atacada, e 11 pacientes com Ebola fugiram de unidades do isolamento na República Democrática do Congo (RDC) à medida em que o surto, decretado emergência internacional pela Organização Mundial da Saúde (OMS), continua a se espalhar pelo país. Profissionais que tentavam realizar o enterro seguro de uma vítima de Ebola, procedimento importante pois o contato com fluidos do corpo pode disseminar o vírus, foi atacada na cidade de Katana, em Kivu do Sul. O ataque obrigou os trabalhadores a abandonarem o caixão, permitindo que moradores da comunidade manuseassem o corpo da vítima. Autoridades de saúde alertaram que o incidente pode desencadear novas cadeias de transmissão do Ebola. Enquanto isso, na província de Ituri, epicentro do surto no país, 11 pacientes escaparam de unidades de isolamento, também ampliando as chances de disseminação do vírus no país. A situação é agravada pelo cenário instável de segurança em partes da província, onde grupos armados continuam limitando o acesso humanitário. Segundo um relatório desta quarta-feira, uma nova zona de saúde, Rimba, foi afetada pelo Ebola, demonstrando "transmissão comunitária ativa", diz o documento. Os acontecimentos ressaltam os desafios enfrentados pelas equipes de resposta à medida que o surto adquire uma dimensão internacional crescente, e os esforços para contê-lo dentro da RDC continuam frágeis. Autoridades de saúde enfrentam dificuldades para rastrear contatos, conter infecções e construir confiança junto às comunidades — mesmo enquanto países vizinhos ampliam medidas de preparação, e a OMS investiga a disseminação transfronteiriça ligada a um viajante infectado que visitou os Emirados Árabes Unidos e Uganda. — O surto teve uma grande vantagem inicial e ainda estamos atrás, mas, sob a liderança do governo da RDC, estamos recuperando terreno — disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, na quarta-feira, após retornar de uma visita ao epicentro. — A chave para encerrar este surto não é biomédica. É liderança, apropriação, parceria e confiança. Ebola se torna emergência de saúde internacional; Veja fotos 1 de 11 O centro de tratamento de Ebola, em Goma, estava abandonado desde o fim do surto de 2019. Trabalhadores restauram o espaço — Foto: Jospin Mwisha / AFP 2 de 11 Uma funcionária verifica a temperatura de uma antes de permitir seu acesso ao hospital em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 11 fotos 3 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 4 de 11 Cartaz com os números de contato de emergência para o Ebola fixado em uma tenda na passagem de fronteira de Busunga — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 5 de 11 Um soldado no antigo centro de tratamento de Ebola, em Goma, que estava abandonado desde o fim do surto em 2019 — Foto: Jospin Mwisha / AFP 6 de 11 Um agente sanitário higieniza as mãos de um motociclista pela fronteira entre Uganda e a República Democrática do Congo — Foto: Badru Katumba / AFP X de 11 Publicidade 7 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: Jospin Mwisha / AFP 8 de 11 Homem se prepara para entrar no Hospital Kyeshero, em um posto de controle para lavagem das mãos e aferição de temperatura para todos os visitantes — Foto: Jospin Mwisha / AFP X de 11 Publicidade 9 de 11 Um profissional de saúde monitora os visitantes que chegam ao Laboratório Rodolphe Mérieux, do Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica, em Goma — Foto: Jospin Mwisha / AFP 10 de 11 Um agente de saúde fronteiriço na passagem entre Uganda e a República Democrática do Congo, verifica a temperatura de um viajante — Foto: Badru KATUMBA / AFP X de 11 Publicidade 11 de 11 Um visitante tem sua temperatura verificada antes de entrar no Hospital Kyeshero — Foto: John WESSELS / AFP Surto da doença na África leva OMS a acionar nível máximo de emergência sanitária internacional Rastreamento de contatos A RDC já registrou 363 infecções confirmadas por Ebola e 62 mortes causadas pela espécie Bundibugyo do vírus, segundo o relatório do Instituto Nacional de Saúde Pública do país. Dezenove novos casos confirmados foram registrados em 2 de junho. Mais de 4,2 mil contatos estão sendo monitorados nas três províncias afetadas, embora menos da metade de todos que deveriam estar sendo acompanhados tenha sido alcançada pelas equipes de vigilância nas 24 horas anteriores. A taxa de rastreamento de contatos melhorou ligeiramente para 46%, mas ainda permanece abaixo da meta de 95%, segundo o relatório. O documento afirma que o rastreamento insuficiente de contatos, os ataques às equipes funerárias e a resistência das comunidades continuam entre os principais obstáculos para controlar o surto. A capacidade laboratorial apresentou resultados mistos. Todas as 70 amostras coletadas em Ituri foram analisadas, sem acúmulo de exames pendentes, embora 42 resultados ainda aguardassem processamento em Kivu do Norte devido a atrasos superiores a cinco dias. Cerca de 27% das amostras testadas em Ituri tiveram resultado positivo para Ebola. Além da RDC, Uganda confirmou 15 casos, incluindo uma morte, e a OMS informou na quarta-feira que um viajante congolês infectado visitou os Emirados Árabes Unidos antes de seguir para Uganda.
Equipe funerária do Ebola é atacada no Congo, e 11 pacientes fogem de unidades de isolamento
Ataque obrigou os trabalhadores a abandonarem o caixão, permitindo que moradores da comunidade manuseassem o corpo da vítima e ampliando o risco de transmissão do vírus








