Depois da crise financeira de 2008, o Bank of America estava sob enorme pressão, com receios sobre perdas hipotecárias, capital, litígios e solvência. Muitos investidores venderam ações às pressas, tomados pelo pânico. Porém, em 2011, a Berkshire Hathaway de Warren Buffett decidiu investir US$ 5 bilhões. A tese era que o banco tinha problemas graves, mas também uma franquia bancária enorme, depósitos, escala e capacidade de normalizar resultados ao longo do tempo. Não faltam exemplos do que é conhecido no mercado como "contrarian investing", uma estratégia de investimento que procura oportunidades de lucro em operações que vão contra o sentimento predominante. Acredita-se que o preço pode cair mais depressa do que o valor.
Nas últimas semanas, em tom de alarme, as mídias portuguesa e brasileira têm difundido a ideia de que os brasileiros estão deixando Portugal em massa, como hebreus fugindo das pragas do Egito. São reportagens baseadas em consultas a associações de imigrantes e entidades trabalhistas. Nem mesmo o ecossistema de inovação e startups, que ajudou a transformar Lisboa num polo de atração para dezenas de milhares de estrangeiros qualificados, parece imune. As gigantes da tecnologia estão demitindo em massa, comprimidas por reestruturações globais e pela substituição de funções por inteligência artificial. A gigante Cloudflare, que escolheu Lisboa para instalar o escritório europeu, anunciou recentemente o corte de cerca de 20% da sua força de trabalho global.












