"Eu vou ter que cantar ‘Verdade’!?", Zeca Pagodinho resmunga, arrancando risadas dos músicos e técnicos presentes em um dos ensaios da turnê "Maior Encontro do Samba", que reúne o cantor, 67, Alcione, 78, e Jorge Aragão, 77. "E tu veio aqui para quê?", responde o sambista que vai dividir o palco com ele. "Para poder ir embora!", Zeca emenda.
O mais jovem dos três na turnê estava agoniado. Havia chegado antes de todos, reclamou de quem atrasou e parecia contar os minutos para sair do estúdio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. Com shows marcados em sete estádios espalhados pelo país, começando pelo Maracanã, no sábado (6), Zeca nunca gostou de multidões, de trabalhar e muito menos de sua enorme fama.
"Para me adaptar com esse sucesso foi complicado. Até hoje fico meio… Gosto de andar na rua, de ir para o botequim", diz o cantor, que falou à Folha com a mesma disposição que tinha para ensaiar. Aragão pediu para responder pelo amigo. "Ele reclamava demais que estava fazendo sucesso. Perdeu o sossego dele, a história de ficar sentado nas caixas no meio das feiras."
Improvisador talentosíssimo no partido alto, Zeca Pagodinho conquistou rápido os bambas que frequentavam as rodas de samba do Cacique de Ramos —entre eles Beth Carvalho, que o convidou para cantar em "Camarão Que Dorme a Onda Leva", em 1983, inaugurando sua carreira fonográfica. Foi o produtor Milton Manhães quem levou o jovem cantor ao estúdio para uma carreira solo. Primeiro, para participar da coletânea "Raça Brasileira", de 1985, e depois para lançar seu disco de estreia, no ano seguinte.










