O ônibus de linha partiu no início da noite no horário previsto da rodoviária de Foz do Iguaçu (PR) para Florianópolis, numa viagem que levaria 15 horas, mas uma denúncia que apontava a presença de produtos contrabandeados a bordo, incluindo canetas emagrecedoras, fez o veículo ser escoltado pela Receita Federal até a sede do órgão, no centro da cidade.

Após duas horas de buscas, o ônibus enfim seguiu viagem, mas mais vazio. Além de mercadorias irregulares avaliadas em mais de R$ 300 mil, foram apreendidas dezenas de ampolas de emagrecedores paraguaios à base de tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro.

O ônibus também partiu sem uma passageira. Moradora de Foz, ela disse à polícia que os eletrônicos que levava —e que acabaram apreendidos— não pertenciam a ela, mas à pessoa que a contratou, algo frequente nos ônibus que diariamente chegam à região da tríplice fronteira para compras no Paraguai.

As mulas do contrabando, como são chamadas, recebem valores definidos conforme a carga a ser transportada e a eficiência mostrada para driblar a fiscalização de órgãos como Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e a própria Receita. Uma boa mula, já experiente, recebe pelo menos R$ 500 para ir até o Paraguai e voltar com a mercadoria, valor que pode subir conforme o risco envolvido.