PUBLICIDADE Alerj terá que emitir parecer. Tribunal envia íntegra processo que apontou irregularidade de R$ 1,13 bilhão por não considerar perdas do Rioprevidência com o Banco Master O pré-candidato do PL ao governo do Rio, Douglas Ruas (à esq.), e o ex-governador Cláudio Castro (PL) — Foto: Marcelo Theobald/O Globo e Brenno Carvalho/O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 18:07 TCE-RJ Recomenda Rejeição de Contas de Cláudio Castro por Irregularidades de R$1,13 Bi O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) notificou Douglas Ruas, presidente da Alerj, sobre a recomendação de rejeição das contas de Cláudio Castro devido a irregularidades de R$ 1,13 bilhão relacionadas ao Rioprevidência e Banco Master. A Alerj deve emitir um parecer, mas ainda não há data definida. A decisão pode impactar a inelegibilidade de Castro, já inelegível até 2030. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) notificou o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas, sobre a recomendação de rejeitar as contas do ex-governador Cláudio Castro de 2025. A decisão do tribunal, tomada em sessão na segunda-feira, foi formalmente comunicada a Ruas na terça, segundo apurou O GLOBO. Pré-candidato do PL ao governo do Rio, Ruas é colega de partido de Castro, que desistiu de se lançar ao Senado. Em ofício endereçado ao presidente da Alerj, o TCE registrou que seus conselheiros decidiram, por maioria, emitir "parecer prévio contrário sobre as contas" de Castro. A notificação é o primeiro passo para que a Alerj analise as contas do governador, o que ainda não tem data para ocorrer. Em sessão na segunda-feira, o TCE havia orientado por 3 votos a 1, a desaprovação das contas do governo devido a "distorções relevantes e generalizadas" em 2025. Um dos pontos destacado pelo voto do conselheiro José Gomes Graciosa, e seguido pela maioria do tribunal, foi uma distorção de R$ 1,13 bilhão no orçamento estadual, devido à falta de "constituição de provisão para perdas" do valor investido pelo Rioprevidência junto ao Banco Master. Como o Master foi liquidado pelo Banco Central no fim de 2025 por gestão fraudulenta, há incerteza se o Rioprevidência conseguirá recuperar a totalidade ou até mesmo parte dos recursos. Por isso, o tribunal entendeu que eles foram incorretamente classificados como disponíveis em caixa pelo governo do Rio na sua prestação de contas. Procurada pelo GLOBO, a presidência da Alerj afirmou, em nota, que "a votação das contas do ex-governador Cláudio Castro, referentes ao exercício de 2025, seguirá a tramitação regimental da Casa, com encaminhamento à Comissão de Orçamento". Além de notificar a Alerj na terça-feira, o TCE-RJ enviou um pen-drive com a íntegra do processo de avaliação de contas do governo. A partir de agora, o material tem que ser submetido à Comissão de Orçamento da Alerj, que é responsável por emitir parecer pela aprovação ou rejeição das contas. A comissão é presidida pelo deputado estadual Gustavo Tutuca (PP), da base de Castro. Depois, esse parecer tem que ser votado na própria comissão, para só então ser submetido ao plenário da Assembleia. Não há um prazo pré-determinado para que isso aconteça, já que as pautas da comissão e do plenário são definidas pelos respectivos presidentes. A Alerj sequer votou até agora as contas de governo de 2024, que precisam ser analisadas pela Casa antes da votação das contas de 2025. Integrantes da Assembleia avaliam que a tendência é de que essa análise fique para depois das eleições estaduais e presidenciais deste ano, embora ponderem que o avanço de investigações contra Castro possa acelerar esse calendário. Risco de nova inelegibilidade O ex-governador, que renunciou ao cargo em março com o objetivo de se candidatar ao Senado, foi alvo de duas operações da Polícia Federal no último mês. Uma delas investiga justamente os aportes do Rioprevidência no Master, citados no parecer do TCE-RJ pela desaprovação das contas. Após as operações, Castro disse que desistiu de se candidatar neste ano. Castro está inelegível até 2030 devido a uma condenação por abuso de poder político e econômico na campanha de 2022, envolvendo a contratação de cabos eleitorais pela fundação Ceperj, órgão do governo estadual. Uma eventual reprovação das contas do governador pela Assembleia Legislativa pode levar a uma nova inelegibilidade, contada pelo prazo de oito anos a partir dessa decisão.