Ao proferir a encíclica "Magnifica Humanitas", na semana passada, Leão 14, o primeiro papa americano na história do Vaticano, referiu-se à participação da Igreja Católica no longo processo de escravidão transatlântica como uma "ferida na memória cristã", sobre a qual "não podemos ficar alheios".
O pronunciamento revelador pegou de surpresa o mundo cristão, uma vez que o tema da escravidão, especialmente no Brasil, constitui ainda controvertido tabu, produzindo acaloradas discussões sobre adoção de políticas humanitárias, sobretudo quando diz respeito a reparações por danos materiais, condenações por violações de vidas humanas, além de repatriações patrimoniais e indenizações de bens incessantes, em um sistema colonial que durou séculos.
O sumo pontífice ainda disse:
"É verdade que os acontecimentos do passado não podem ser considerados de forma a-histórica, como se os critérios amadurecidos ao longo do tempo tivessem estado sempre disponíveis. No entanto, não podemos negar ou minimizar o atraso com que a Igreja e a sociedade condenaram o flagelo da escravatura."
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