A morte de quatro trabalhadores agrícolas migrantes, queimados vivos dentro de um automóvel no sul de Itália, voltou a colocar sob escrutínio as condições de exploração a que estão sujeitos milhares de estrangeiros empregados no sector agrícola italiano.O ataque ocorreu em Amendolara, uma localidade da região de Calábria, e foi captado pelas câmaras de vigilância de uma estação de serviço. As vítimas eram três cidadãos afegãos e um paquistanês. Dois homens de nacionalidade paquistanesa foram detidos pelas autoridades sob acusação de homicídio qualificado.As imagens divulgadas pelos meios de comunicação italianos mostram dois suspeitos a despejar um líquido inflamável no interior da viatura, estacionada junto a uma bomba de gasolina. Em seguida, o veículo é incendiado, enquanto os agressores bloqueiam as portas para impedir a fuga dos ocupantes.Um quinto homem, afegão, conseguiu escapar através da bagageira do carro, sofrendo queimaduras nos braços. Em declarações à televisão pública italiana RAI, o sobrevivente afirmou que o ataque aconteceu depois de os trabalhadores terem exigido o pagamento dos salários em atraso.“Não nos davam dinheiro. Davam-nos comida e alojamento, mas não recebíamos qualquer salário”, relatou. O trabalhador acusou ainda uma rede criminosa ligada ao recrutamento de mão-de-obra migrante de explorar trabalhadores agrícolas estrangeiros em várias regiões de Itália.