O maior ídolo do futebol brasileiro, Pelé, aparece em terceiro lugar na lista dos 100 maiores nomes do esporte elaborada pelo The Athletic, site de jornalismo esportivo do The New York Times. Lionel Messi aparece como o maior jogador da história e Diego Maradona como segundo e, só então, Pelé é citado como terceiro colocado da lista. Fechando o top 5, aparecem Johan Cruyff em quarto lugar e Cristiano Ronaldo em quinto. Para além dos feitos brilhantes dentro do gramado, o The New York Times afirma que “há outro aspecto” que muitas vezes se perde quando se avalia a carreira de Pelé sob a ótica da modernidade. O brasileiro é retratado como embaixador do esporte na reportagem dedicada ao rei do futebol, considerado o responsável por popularizar o esporte e o jeito brasileiro de jogar em diferentes partes do mundo durante as décadas de 1950, 1960 e 1970. “Atualmente, os melhores jogadores de futebol da atualidade têm alcance global como padrão”, argumenta a reportagem. “Com Pelé foi diferente, apesar de ofertas do exterior, ele permaneceu no Santos — um clube relativamente provinciano, por 18 anos. A Copa do Mundo, sim, o tornou famoso, mas foi como atração itinerante que ele realmente conquistou um lugar no coração das pessoas” acrescenta. Segundo a publicação, o atacante disputou partidas em 74 países ao longo da carreira, principalmente em excursões do Santos FC, a maioria para amistosos, levando o esporte e a imagem do Brasil a públicos que tinham pouco contato com grandes estrelas do futebol. O The New York Times também destaca o papel simbólico de Pelé na superação do chamado "complexo de vira-lata", expressão criada por Nelson Rodrigues para descrever o sentimento de inferioridade que marcou parte da sociedade brasileira entre as décadas de 40 e 50. Segundo a reportagem, na Copa do Mundo de 1950, sediada no Brasil, havia a expectativa de que o país pudesse exibir o poderio aos visitantes europeus e de se afirmar ao menos em campo. Mas a seleção decepcionou, perdendo para o Uruguai na final, quando um empate teria garantido o título. O torneio de 1958 marcou a primeira aparição de Pelé ao mundo e a reconquista da autoestima brasileira. O jogador era uma surpresa de última hora na seleção, um jovem de 17 anos “convocado por meio de um convite”. Após perder os dois primeiros jogos do Brasil devido a uma lesão no joelho, apareceu em campo pela primeira vez contra a União Soviética, deu a assistência para o segundo gol decisivo de Vavá, marcou o único gol nas quartas de final contra o País de Gales, fez mais três vezes contra a França na semifinal e duas vezes na vitória por 5 a 2 na final contra a Suécia. Além dos três títulos mundiais conquistados com a seleção brasileira, a reportagem ressalta o legado cultural de Pelé e sua capacidade de criar conexões com torcedores ao redor do planeta. *Estagiário sob supervisão de de Diogo Max