As Forças Armadas de Israel afirmaram ter interceptado dois foguetes disparados pelo Hezbollah contra o território israelense nesta quarta-feira (3), enquanto fontes de segurança libanesas informaram que um ataque israelense atingiu um carro próximo a Beirute, colocando à prova um acordo mediado pelos Estados Unidos que busca conter os ataques entre os dois lados. As hostilidades continuam apesar do entendimento anunciado na segunda-feira, que levou Israel a suspender ataques contra os subúrbios ao sul de Beirute controlados pelo Hezbollah. O grupo apoiado pelo Irã, por sua vez, comprometeu-se a interromper ataques transfronteiriços. O Líbano emergiu nesta semana como um dos principais focos da crise regional, com o risco de nova escalada pairando sobre os esforços para fechar um acordo entre Irã e Estados Unidos. Teerã insiste que qualquer entendimento inclua o fim dos ataques israelenses em território libanês. Um porta-voz militar israelense afirmou que os dois projéteis disparados do Líbano “eram foguetes lançados pela organização terrorista Hezbollah”. Mais cedo, os militares israelenses disseram ter interceptado uma “aeronave hostil” que entrou em seu espaço aéreo. Segundo o porta-voz, provavelmente tratava-se de um drone lançado pelo Hezbollah. O Hezbollah se recusou a comentar os incidentes e orientou a Reuters a consultar os comunicados oficiais da organização sobre suas operações. O grupo não anuncia disparos de foguetes contra o norte de Israel desde segunda-feira. Fumaça sobe do sul do Líbano, após ataques israelenses , vista de Nabatieh, Líbano, 3 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer Ataques com drones Fontes de segurança do Líbano disseram que ataques israelenses com drones atingiram pelo menos dez veículos nesta quarta-feira, incluindo um automóvel na rodovia costeira principal na região de Khalde, a poucos quilômetros ao sul de Beirute, deixando dois feridos. Foi o ataque mais próximo da capital libanesa desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu que Israel não atingisse Beirute, como parte do acordo anunciado por ele e pela embaixada do Líbano em Washington. Outro ataque israelense, em uma estrada próxima à cidade costeira de Tiro, matou seis pessoas, informou o Ministério da Saúde do Líbano, identificando as vítimas como quatro sírios e dois palestinos. Um ataque israelense contra uma ambulância matou dois socorristas na cidade de Chehour, segundo o ministério. O Exército libanês informou ainda que um soldado morreu em um ataque aéreo israelense enquanto trafegava por uma estrada no sul do país. Os militares israelenses não responderam imediatamente aos questionamentos da Reuters sobre os ataques. Uma pessoa em luto se debruça sobre o caixão durante o funeral dos libaneses Hassan Abdullah e Hanan Shehab e seus filhos Leen, Ali, Ibraheem e Julia, mortos em um ataque israelense, em Wardaniyeh, Líbano , em 3 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Aziz Taher Tentativa de evitar nova escalada A iniciativa diplomática de Trump na segunda-feira buscava evitar uma nova escalada da guerra iniciada em 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo em solidariedade ao Irã, que então era alvo de ataques dos Estados Unidos e de Israel. O Irã exige um cessar-fogo no Líbano como parte de qualquer acordo com Washington para encerrar o conflito mais amplo e sugeriu nos últimos dias que poderia intervir diretamente em apoio ao Hezbollah caso Israel mantenha ou amplie seus ataques no país. Na segunda-feira, as Forças Armadas iranianas alertaram os moradores do norte de Israel para que deixassem a região caso Israel atacasse Beirute. Israel bombardeou intensamente os subúrbios ao sul da capital libanesa, conhecidos como Dahiyeh, no início da guerra, mas realizou apenas dois ataques na área desde que Trump anunciou um cessar-fogo no Líbano, em abril. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, afirmou na terça-feira que Israel voltaria a atacar os subúrbios ao sul de Beirute caso o norte israelense fosse alvo de novos ataques. O Hezbollah informou ter realizado 13 operações contra forças israelenses na terça-feira no sul do Líbano, onde tropas israelenses ocupam uma autodeclarada zona de segurança. As Forças Armadas israelenses emitiram novos alertas para moradores de seis vilarejos e cidades no sul do Líbano, orientando-os a deixar suas casas porque pretendiam agir contra posições do Hezbollah. Segundo o Ministério da Saúde libanês, quase 3.500 pessoas morreram no Líbano em decorrência de ataques israelenses desde 2 de março, incluindo 705 mulheres, crianças e profissionais de saúde. O balanço não especifica quantos dos mortos eram combatentes. Israel afirma que 26 soldados e quatro civis israelenses morreram em ataques do Hezbollah desde março. Representantes dos governos libanês e israelense devem se reunir em Washington ainda nesta quarta-feira pelo segundo dia consecutivo de negociações. Será o quarto encontro presencial entre os dois lados mediado pelos Estados Unidos desde o início da guerra. O governo libanês participa das conversas apesar da oposição do Hezbollah.
Israel acusa Hezbollah de lançar foguetes e colocar à prova acordo mediado pelos EUA
Fontes de segurança libanesas, por sua vez, informaram que um ataque israelense atingiu um carro próximo a Beirute













