Imagem do presidente dos EUA, Donald Trump, na sede do Departamento de Agricultura, em Washington — Foto: Mandel NGAN / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 08:53 EUA Impõem Tarifa de 37,5% a Produtos Brasileiros por Comércio "Desleal" Os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, somando-se a uma taxa de 25% por práticas comerciais "desleais", totalizando 37,5%. A medida, baseada em alegações de importação de produtos de trabalho forçado, segue o uso da Seção 301 por Trump. O Brasil já contestou as tarifas, enviando missões aos EUA para negociar, mas sem sucesso. A medida afeta 60 países e pode reduzir o comércio Brasil-EUA. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A tarifa de 12,5% anunciada ontem pelo departamento de comércio dos Estados Unidos, o USTR, sob a alegação de importação de produtos oriundos de trabalho forçado, soma-se aos 25% comunicados na segunda-feira por práticas comerciais consideradas "desleais". Ou seja, estamos falando de uma tarifa de 37,5% contra o Brasil, informou-me uma fonte nesta manhã. Esse é o primeiro ponto. O segundo é que os Estados Unidos, com essas medidas, buscam substituir o tarifaço do ano passado, quando anunciaram, primeiro, uma taxa de 10% para todos os países, justificada pelo chamado comércio de reciprocidade, acrescentando posteriormente uma sobretaxa de 40% sobre o Brasil, que ficou entre os países com as maiores tarifas de importação para o mercado americano. O tarifaço anunciado por Donald Trump, em abril do ano passado, nos jardins da Casa Branca, foi derrubado pela Justiça americana, que considerou a taxação ilegal. O que o governo Trump faz agora é usar a Seção 301, uma legislação consolidada, como expliquei aqui, para pavimentar a defesa de novas taxas. Apesar de a investigação sobre trabalho forçado ser mais recente, foi instaurada em março, o Brasil já enviou missão aos Estados Unidos para tratar do assunto. O governo brasileiro apresentou a legislação contra o trabalho forçado, enumerou as punições e as fiscalizações que tem realizado. Mas há um terceiro ponto: o governo americano está exigindo não apenas o controle local, mas também legislação voltada para terceiros países, de forma a evitar que um produto eventualmente fabricado com trabalho forçado seja importado. E é muito difícil controlar outros países. Para mostrar o quão irracional é essa nova tarifa, na lista dos países que podem ser sancionados estão Noruega e Japão. A Noruega é um país de referência em temas relacionados a direitos humanos e respeito aos direitos trabalhistas. Diga-se de passagem, os Estados Unidos estão longe de ser um modelo na área de direitos trabalhistas. O país raramente assina convenções internacionais voltadas ao trabalho decente e à proteção do trabalhador. Mais uma vez, os Estados Unidos estão criando pretextos para erguer o muro tarifário que Trump quer construir desde o primeiro dia para cercar o país de concorrência com o mercado internacional. No caso da taxação ao Brasil, há ainda um claro componente político. É bom lembrar que a sobretaxa imposta no ano passado e a investigação sobre práticas comerciais desleais foram iniciadas após o presidente americano publicar em sua rede social, em julho do ano passado, que o Brasil estaria realizando uma caça às bruxas contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Tudo começou daí. O que os dois últimos dias mostraram é que os EUA vão criar qualquer pretexto para implementar tarifas. Essa última medida atinge nada menos do que 60 países. O governo americano não ouve os argumentos de seus parceiros comerciais. O Brasil já apresentou suas defesas e tinha a expectativa de que fossem acatadas, mas a tarifa de 25% foi anunciada na segunda-feira antes do prazo final de 15 de julho. Ao antecipar o anúncio para 1º de junho, explicou-me uma fonte, os Estados Unidos indicam que a negociação já está chegando ao fim; agora resta apenas a fase de consultas, está dizendo que o prazo vai ser respeitado. O Brasil já enviou delegações de alto nível, vice-ministros e embaixadores do Itamaraty com resposta a tudo o que foi levantado pelo USTR. Empresários também apresentaram seus pontos. O governo americano ignorou tudo até agora. Portanto, é preciso trabalhar com a possibilidade de que essas tarifas se tornem realidade em breve e sejam efetivamente impostas às empresas brasileiras, prejudicando o comércio entre os dois países. A única coisa que tranquiliza um pouco é que as empresas brasileiras, desde o ano passado, vêm buscando outros mercados para substituir o americano. No fim, essas medidas tendem a fazer com que o comércio entre Brasil e Estados Unidos vá minguando cada vez mais.