Os Estados Unidos impuseram nesta terça-feira (2) sanções contra comandantes de grupos armados que, segundo Washington, estão alimentando o conflito no leste da República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire), onde os combates continuam apesar dos esforços de mediação liderados pelos EUA. Os confrontos persistem no leste congolês, onde os rebeldes do M23 — que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), recebem apoio de Ruanda — e as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (Fdlr), uma milícia hutu com origens ligadas ao genocídio de 1994, combatem em lados opostos. Ruanda nega apoiar o M23. Em comunicado, o Departamento do Tesouro dos EUA informou que sancionou John Imani Nzenze, comandante e chefe de inteligência do M23, além de Gustave Kubwayo, comandante das Fdlr e líder de uma unidade de inteligência e operações especiais. “O presidente Trump deixou claro que há uma necessidade urgente de resolver o terrível conflito no leste da República Democrática do Congo, e os Estados Unidos estão comprometidos com a paz e a prosperidade na região”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent. “A violência persistente praticada por grupos armados está agravando uma crise humanitária já dramática e representa uma ameaça aos interesses dos Estados Unidos na região. As sanções de hoje apoiam uma solução pacífica e o fim do derramamento de sangue”, acrescentou. Nzenze, um porta-voz do governo de Ruanda e o governo da República Democrática do Congo não responderam imediatamente aos pedidos de comentário. Ruanda e o Congo assinaram um acordo de paz em Washington em dezembro, como parte dos esforços do presidente americano Donald Trump para mediar o conflito e atrair bilhões de dólares em investimentos ocidentais para a região. Poucos dias após a cerimônia, porém, os rebeldes do M23 entraram na cidade de Uvira, no leste do Congo, próxima à fronteira com Burundi, na maior escalada do conflito em meses. Posteriormente, o grupo recuou sob pressão dos Estados Unidos. Atualmente, a RDC tem enfrentado um surto de ebola provocado pela cepa Bundibugyo. Até o momento, foram registradas 48 mortes e seis recuperações no país africano. Além disso, há 321 casos confirmados e 116 casos suspeitos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).