Pelo meio de vários concertos cancelados e outros realizados, nesta terça-feira foi a vez de o Congresso Judaico Europeu (CJE) apelar ao cancelamento do concerto do rapper norte-americano Kanye West, marcado para 7 de Agosto no Estádio do Algarve.“Apelamos às autoridades competentes, às entidades públicas e aos organizadores para que cancelem este evento e tomem todas as medidas adequadas para garantir que o anti-semitismo, a glorificação do nazismo e o ódio não sejam recompensados com plataformas públicas, legitimidade ou apoio”, lê-se num comunicado publicado no site oficial do CJE.O CJE sublinha estar alinhado com a Comunidade Israelita de Lisboa (CIL) “para manifestar a sua profunda preocupação relativamente ao concerto de Ye (Kanye West) no Estádio do Algarve”.

A CIL emitiu a 6 de Maio um comunicado no qual pedia às câmaras de Faro e de Loulé e ao Governo que não concedessem quaisquer apoios públicos ao concerto de Kanye West em Loulé. Em declarações à Lusa, o presidente da CIL, David Botelho, lamentou a disponibilização de “uma infra-estrutura pública para a realização de um evento com fins lucrativos” de uma “figura que tem um discurso sinistro, que outros países entenderam como inaceitável”.“O que se espera do Estado é que não haja qualquer apoio, qualquer cedência de apoios, que o Estado ao nível central, regional e local não financie nem dê apoios públicos, que não use recursos públicos, quaisquer que eles sejam, para apoiar este evento”, explicou. Esta é “uma normalização inaceitável de algo que não pode ser normalizado, nomeadamente o discurso de ódio”, continuou David Botelho.Na nota publicada nesta terça-feira, o CJE diz que Portugal deve “seguir o exemplo” de outros países, como o Reino Unido, França, Polónia, Suíça e, mais recentemente, Itália, onde “autoridades públicas e organizadores” optaram por “cancelar ou distanciar-se de eventos que envolvam Ye”.