Senador diz ter pedido a Trump que não taxe empresas brasileiras e afirma que um eventual governo seu integrará o Brasil em aliança internacional de combate ao crime organizado Flávio Bolsonaro e Donald Trump na Casa Branca — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 16:09 Flávio Bolsonaro critica Lula e promete negociar tarifas com EUA Flávio Bolsonaro respondeu às críticas de Lula sobre tarifas propostas pelos EUA, culpando o governo petista pela situação. O senador afirmou ter solicitado a Trump que não taxe empresas brasileiras e destacou que, se eleito, negociará de igual para igual com os EUA. Flávio também ressaltou avanços em segurança pública e disse que o Brasil poderá integrar coalizão internacional contra o crime organizado. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) reagiu nesta terça-feira às críticas feitas a ele pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no contexto da proposta apresentada pelo governo dos Estados Unidos para impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o pré-candidato à Presidência afirmou ter pedido diretamente ao presidente norte-americano Donald Trump que não taxe empresas brasileiras e atribuiu a iniciativa a uma postura negativa do governo petista em relação aos Estados Unidos. Na gravação, Flávio também procurou desvincular sua recente viagem a Washington da proposta apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Segundo o senador, a investigação comercial que embasa a medida foi iniciada antes de sua visita ao país, ainda em 2005, e não teria qualquer relação com os encontros que manteve com autoridades americanas na semana passada. — Eu fiz um pedido direto para os EUA não taxarem as empresas brasileiras, que já são absurdamente taxadas pelo governo Lula. Os empreendedores brasileiros já estão sufocados com tanto imposto, burocracia, perseguição. Estão até saindo do Brasil. Então, eu expliquei que não seria justo taxá-los ainda mais — disse. O presidenciável também declarou que, em sua visita aos EUA, aproveitou para destacar que os Estados Unidos não precisarão recorrer a esse tipo de instrumento de pressão após as eleições deste ano porque terão, segundo ele, um interlocutor disposto a negociar "de igual para igual" com Washington a partir de janeiro de 2027 caso venha a ser eleito. — Reforcei que os EUA não precisaria mais usar a política de tarifas para negociar com o Brasil porque a partir de janeiro de 2027 o Brasil terá um presidente da República que vai sentar para negociar de igual para igual e vamos chegar a um acordo que seja bom para as duas nações — completou. No vídeo, o senador também fez um balanço da viagem aos Estados Unidos e voltou a destacar como principal resultado da agenda a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelo governo americano. Segundo ele, a medida abre uma oportunidade para que o Brasil integre uma coalizão internacional voltada ao combate das facções criminosas. Flávio também voltou a afirmar que, em poucos dias de pré-campanha presidencial, conseguiu avançar mais na pauta da segurança pública do que o governo Lula ao longo de duas décadas. O senador acusou o presidente de ter adotado uma postura leniente em relação ao crime organizado e criticou declarações anteriores do petista sobre o tema. Ao abordar a proposta de tarifas, o presidenciável afirmou que empresários brasileiros já enfrentam elevada carga tributária, burocracia e insegurança econômica e argumentou que uma eventual sobretaxa americana agravaria ainda mais esse cenário e foi por isso mesmo que pediu diretamente às autoridades americanas que poupassem empresas brasileiras de qualquer sanção comercial. A resposta ocorreu após Lula elevar o tom contra a família Bolsonaro ao comentar a proposta de tarifas. Mais cedo, o presidente associou os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) às medidas discutidas pelo governo americano e afirmou que eles estariam atuando contra os interesses nacionais. A declaração foi acompanhada por uma ofensiva de integrantes do PT e da base governista nas redes sociais, que passaram a relacionar a recente viagem de Flávio aos Estados Unidos ao anúncio da proposta comercial. Entenda a proposta dos EUA O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) concluiu uma investigação comercial contra o Brasil e propôs a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, com exceções previstas em uma lista específica de produtos. Conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, a medida abre uma nova etapa de consulta pública antes de eventual adoção de sanções comerciais. Segundo o USTR, determinados atos, políticas e práticas do governo brasileiro seriam "irrazoáveis" e "oneram ou restringem" o comércio dos Estados Unidos. Com a conclusão da investigação, o órgão apresentou medidas corretivas e abriu o caso para participação pública. A proposta prevê tarifa de 25% sobre todas as mercadorias brasileiras, embora o documento inclua 73 páginas de exceções. Entre os produtos que permaneceriam isentos estão materiais informativos, doações, determinadas carnes, frutas, café, chá, cereais, sementes, minerais, terras raras, aeronaves brasileiras e peças aeronáuticas, além de produtos químicos orgânicos, farmacêuticos e fertilizantes. O Pix aparece entre os principais pontos questionados pelo governo americano. Segundo o USTR, o Banco Central favorece o sistema de pagamentos ao atuar simultaneamente como regulador e proprietário da plataforma, impor seu uso e limitar taxas cobradas por concorrentes americanos.